ciclo antes o mundo não existia

Roteiro para o ciclo de leitura em torno do livro
“Antes o Mundo não existia” DESANA, Dantes Editora

Ministrado pela Francineia Fontes Baniwa e Idjahure Kadiwel.
Participação especial da Daiara Tukano
4 encontros de 2 horas

Sobre o ciclo:

Antes o mundo não existia é um livro de narrativas de criação (ou de mitologia) do povo indígena Desana, de autoria de Firmiano e Luiz Lana (pai e filho), do clã Kehíripõrã ou “Filhos dos Desenhos do Sonho”. Publicado originalmente em 1980, a iniciativa pioneira inspirou na década seguinte uma série de publicações em sua região de origem que vieram a ser, a partir de 1995, as edições Narradores Indígenas do Alto Rio Negro, volumes de narrativas ancestrais da Terra Indígena Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira/AM. Situado no Noroeste Amazônico, o Alto Rio Negro é o território originário de mais de 23 povos indígenas, organizados em um sistema multilinguístico único, em que os Desana são falantes da família de línguas Tukano Oriental. O livro – narrado em Desana por Firmiano, escrito, traduzido e desenhado por Luiz – é composto por diversos ciclos de narrativas e povoado de múltiplos seres, plantas, animais, lugares sagrados e entidades ancestrais. Esta passagem inaugural da oralidade à literatura indígena vai nos possibilitar viajar nas narrativas do povo Desana e perceber as transformações de lugares, das malocas e de outros seres. Através da leitura poderemos conhecer os mitos e entender os seus significados, que hoje estão presentes nas danças, nos rituais e nos benzimentos desse povo, nos possibilitando ter acesso a outros conhecimentos, outras ciências, outras formas de explicar outras camadas de existência.

Em cada sessão, o mediador fará uma contextualização ou breve apresentação dos temas expostos no livro, como uma forma de abertura de diálogo com o/a convidado/a especial. Em seguida, o diálogo será ampliado com as perguntas e comentários dos participantes do ciclo. Eventualmente haverá leituras em voz alta de trechos do livro, exibições de excertos de filmes e apresentação de iconografias. Leituras complementares serão disponibilizadas conforme a demanda dos participantes.

LEIA MAIS

1° Encontro com Jaime Diakara

Leitura da Primeira à Quarta partes de Origem do mundo e da humanidade (pp. 11-61)
Apresentação da história, da sociodiversidade e do multilinguismo rionegrinos. As teorias e narrativas de origem de mundo e da humanidade segundo os Desana.

Filme “Pelas Águas do Rio de Leite” (2018):

2° Encontro com Dagoberto Azevedo e João Paulo Barreto

Leitura da Quinta parte da Origem do mundo e da humanidade até a História dos três cataclismos (pp. 62-99)
As teorias Yepamahsã (Tukano) de Kihti Ukũse (narrativas míticas), Bahsese (benzimentos) e Bahsamori (conhecimento).
Bibliografia “Kihti Ukũse”. In: Barreto et al. Omerõ – Constituição e circulação de conhecimentos Yepamahsã (tukano). Manaus: EDUA, 2018: pp. 16-18.

Bibliografia Complementar Publicações do Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI) https://neai.ufam.edu.br/pub/80-publicacoes.html

3° Encontro com Francineia Fontes Baniwa e Denilson Baniwa

Leitura de O roubo das flautas sagradas pelas mulheres até a História de Gãipayã e a origem da pupunha (pp. 100-161)

Das narrativas orais e literárias às artes visuais indígenas. A versão do roubo das flautas sagradas pelas mulheres segundo as mulheres. Narrativas de mulheres e de roça.

Filmografia sugerida Filmes da série Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro: Olhares indígenas (IPHAN)

Wehsé Darase – Trabalho da Roça. Direção Larissa Duarte (Tukano) As manivas de Basebó. Direção Maria Claudia Dias Campos (Tariano) A história vira reza. Direção Henoque Brasil (Baré) e Karliel dos Santos (Tukano) Roça da sogra. Direção Adilson Joanico (Baniwa) e Adenilson Mineirinho (Baniwa)

4° Encontro com Ailton Krenak e Álvaro Tukano

Leitura da História de Ãgãmahsãpu, seguido da História dos Diroá e dos Koáyea (pp. 162-205)

Narrativas, mitologias e cosmovisões indígenas. Encerramento do ciclo de leitura.

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Sobre Idjahure Kadiwel:

Únati! Sou Idjahure Kadiwel, antropólogo e poeta, nasci no Rio de Janeiro e pertenço aos povos indígenas sulmatogrossenses Terena e Kadiwéu. Meu mestrado no Museu Nacional/UFRJ retratou a trajetória de vida de meu pai Mac Suara, o primeiro ator indígena no cinema brasileiro, que estreou nas telas em 1985, com Avaeté, a semente da vingança, tendo sido também um dos fundadores do Núcleo de Cultura da União das Nações Indígenas e da Aliança dos Povos da Floresta. Sou correspondente da Rádio Yandê, a primeira web rádio indígena no Brasil, desde 2016. Gosto muito de cantar e sou apaixonado por cantos e línguas indígenas, assim como por estudar etnologia, poesia e filosofia. Desde 2017, editei e publiquei pela editora Azougue 8 livros de uma coleção chamada Tembetá, projeto editorial que teve o objetivo de visibilizar a trajetória e o pensamento de diferentes personalidades do movimento indígena no Brasil.

Sobre Francineia Fontes Baniwa:

Puranga ara, karuka, pituna. Sou do povo Baniwa, mulher, indígena, mãe, pesquisadora e antropóloga, nasci e cresci numa comunidade indígena chamado Assunção do Içana, no rio Içana, na Terra Indígena Alto Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira-AM. Atuei como professora na minha comunidade. Fui presidenta da Associação das Mulheres Indígenas Baniwa (AMIBI) e coordenadora do departamento de mulheres do Rio Negro (DMIRN/FOIRN). Sou técnica em gestão ambiental pelo Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), técnica em etnodesenvolvimento pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM) e socióloga pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestra e atualmente doutoranda em Antropologia Social no Museu Nacional (UFRJ). A minha dissertação de mestrado foi sobre as narrativas do meu povo Baniwa, na qual busco explicar os sentidos dessas narrativas no nosso mundo hoje, na qual fazem parte do nosso mundo indígena. E a tese será com mulheres Baniwa sobre as narrativas do saber feminino e seus conhecimentos que precisam ser escrito em forma de registro visual.

Sobre o livro:

O surgimento do mundo contado por Firmiano e seu filho Luiz, revisto e anotado por Berta Ribeiro e Dominique Buchillet.

A história de como Yebá Buró, a avó da terra se pôs a pensar como seria o mundo e de como a humanidade foi trazida por uma grande jiboia, a “Canoa da Futura Humanidade” ou “Canoa de Transformação” ou “Canoa-Cobra”. O registro da memória sobre a origem do mundo e da humanidade por um povo que a transmitiu na oralidade através dos tempos.

A primeira edição foi publicada em 1980 pela Livraria Cultura Editora com introdução e notas da antropóloga Berta Ribeiro e tiragem de cinco mil exemplares. A segunda edição realizada pelo ISA na década de 90 contou com revisão e notas da antropóloga Dominique Buchillet. Nossa edição, revista pelo autor, integrará ao trabalho de Berta e Dominique, 56 novas ilustrações feitas por Luiz Lana e sua família. Os povos Tukano orientais são os Tukano, Desana, Tuyuka, Karapanã, Makuná, Siriano, Miriti-Tapuyo, Pirá-Tapuyo, Arapaço, Uanano, Cubeo, Bará e Barasana, que vivem ao longo do rio Uaupés e seus principais afluentes: Tiquié, Papuri, Querari e Cuduiari, no Brasil, e Pira-paraná e Apaporis, na Colômbia. Os Desana ou Ũmũkomahsã, “Gente do Universo”, do qual fazem parte os narradores deste volume, são aproximadamente mil pessoas, no Brasil, distribuídos em aproximadamente 50 comunidades espalhadas pelos Rios Tiquié e Papuri, e seus principais afluentes navegáveis (fonte: ISA).

Sobre os autores:

Umusï Pãrõkumu, ou Firmiano Arantes Lana e seu filho Tõrãmü Këhíri, ou Luiz Gomes Lana, pertencem a um dos grupos de descendência dos Desana, os Këhíripõrã ou “Filhos (dos Desenhos) do Sonho”. Umusï Pãrõkumu era tuxáua e não falava português. Quando tinha 30 anos, Tõrãmü Këhíri resolveu passar para um caderno as histórias que seu pai sabia.

Sobre a Dantes Editora:

É uma editora que se dedica à pesquisas, edições e projetos culturais que nascem de livros. Seu trabalho expande a atuação da produção editorial para exposições, oficinas, filmes e muitas outras atividades de cunho social, cultural e ambiental. O envolvimento, dedicação e cuidado com as articulações para que cada projeto se realize, criam trabalhos especiais que conectam áreas de conhecimento diversas.

Há quase 10 anos a Dantes trabalha com o povo Huni Kuin no Acre no projeto Livro Escola Viva que tem sido inspiração para o formato colaborativo que sempre buscou.

Desde 2018 realiza o Selvagem, ciclo de estudo sobre a vida.

Primeira turma: 22, 29/07 e 5, 12/08/2020

Material de estudo