ciclo metamorfoses

Roteiro para o ciclo de leitura em torno do livro
“Metamorfoses” do Emanuele Coccia, Dantes Editora

Roteiro para o ciclo de leitura em torno do livro “Metamorfoses” do Emanuele Coccia, Dantes Editora.
4 encontros de 2 horas

Sobre o ciclo:

Os encontros visam apresentar e aprofundar, na sequência em que são apresentadas na obra, algumas das questões que julgamos cruciais do livro de Emanuele Coccia. Para tanto, serão mobilizadas também referências de outras obras do autor, de outros filósofos, bem como de escritores e artistas, e de povos e pensadores indígenas.

LEIA MAIS

1o encontro : O nascimento do vírus e o vírus do nascimento

Leitura: “Introdução” e cap. 1 “Nascimentos”

Breve panorama da obra e filosofia de Emanuele Coccia. O contexto de publicação da tradução brasileira: a pandemia, o(s) isolamento(s) social(is), a COVID-19. Que metamorfoses o vírus acarreta? As diferentes concepções de metamorfose e os diferentes tempos da e na metamorfose. Metamorfose e violência. O nascimento como forma transcendental da experiência.

2o encontro : Casulos e reencarnações (ou a vida como ritual antropofágico)

Leitura: cap. 2 “Casulos” e cap. 3 “Reencarnações”

O casulo como rito de passagem, ou o rito de passagem como casulo. Um outro modo de conceber a infância. A redefinição da técnica para aquém da distinção entre natureza e cultura. A monstruosidade do ser vivo, uma quimera. A via de mão dupla da devoração. Autofagia-heterofagia. A alimentação como reciclagem/bricolagem cósmica. Metempsicose revisitada. Que vitalismo está em jogo? Qual o papel da morte na vida? 

3o encontro : Habitar a deriva, derivar o hábito

Leitura: cap. 4 “Migrações”, cap. 5 “Associações” e “Conclusão”

O estatuto da Terra entre oikos e barca. De que casa, de que família, estamos falando? A cidade e o seu fora, a cidade e o que fica de fora. Exilados na própria terra ou a terra como exílio? A crítica aos pressupostos da ecologia e os pressupostos da crítica à ecologia. Agricultura e/ou caça? Guerra e/ou utilidade, e que guerra, que utilidade? O que é um estrangeiro, um inimigo? A atmosfera, arquitetura cósmica. O caráter errante e limiar do espírito.

4o encontro : A gaiatologia das Metamorfoses de Emanuele Coccia

No último encontro, contaremos com a presença do autor, e além de ouvirmos sua exposição, faremos a ele questões que forem coletivamente sendo construídas ao longo dos encontros anteriores.

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Sobre Alexandre Nodari:

Alexandre Nodari é professor de literatura e filosofia na Universidade Federal do Paraná, onde fundou e coordenada o species – núcleo de antropologia especulativa.

Co-ministrou, com Eduardo Viveiros de Castro, o seminário de pós-graduação “Do matriarcado primitivo à sociedade contra o Estado: cartografia da hipótese antropofágica” no Museu Nacional/UFRJ (2012). Em 2011, co-ministrou algumas sessões do seminário de pós-graduação (na UBA) “Sacro Poder”, a cargo de Fabián Ludueña e Emanuele Coccia. Em 2010, fundou a editora Cultura e Barbárie, da qual foi editor geral até 2015. Página no Academia.edu com a maioria da produção:

Sobre Cecilia Cavalieri:

Artista visual e pesquisadora, cosmotransfeminista e mãe suficientemente boa. A prática contrafilosófica e especulativa é ponto de partida para vídeos, esculturas, textos, instalações e dispositivos contracoloniais de discurso que relacionam arte, natureza, economia/ecologia, maternidade e animalidade. Em pesquisa recente propõe exercícios inter/multiespecíficos de especulação e de fabulação cosmopoética com outras fêmeas e com espíritos de animais extintos em diálogo crítico com os processos de subalternização desses e de outros corpos no Faloceno, como a série em torno da coisa leite-língua no território espelhado da Via Lactea. Mestra em Artes Visuais [PPGArtes / UERJ] e doutoranda em Linguagens Visuais [PPGAV / UFRJ] com estágio doutoral no laboratório de Sociologia e Filosofia Política da Université Paris-Nanterre.

Sobre Emanuele Coccia:

Emanuele Coccia nasceu em Fermo, na Itália, em 1976. Até os 19 anos de idade, estudou no Instituto Técnico Agrário Garibaldi, em Macerata, razão pela qual manteve seu olhar dirigido às plantas durante seus altos estudos em filosofia. Coccia transita por importantes centros acadêmicos em Florença, Berlim, Friburgo, Nova York e Paris. É professor titular de filosofia na EHESS em Paris. Suas obras tem sido traduzidas em diversos países e propõem a ampliação da percepção do vida, de seus sistemas e do mundo. É o pai de Colette.

Sobre o livro Metamorfoses do Emanuele Coccia publicado pela Dantes Editora:

É a Terra (e, assim, o Universo, pois a Terra é apenas a matéria que escapou do Sol) que inventa em nós uma nova maneira de ser a partir da sua própria matéria. Sob esse ponto de vista, cada um de nós, enquanto casulo, passou por tudo. Cada um de nós passará por tudo. Nós somos um mesmo mundo e uma mesma substância.

Os casulos estão por todos os lugares. Cada célula viva é um deles. Todo indivíduo é um deles: cada um de nós é o espaço dentro do qual o mundo procura e encontra um novo rosto. Os casulos estão por todos os lugares. Cada meio é um deles.

O verdadeiro sujeito de toda metamorfose é o nosso planeta. Todo ser vivo é apenas uma reciclagem do seu corpo, uma manta de retalhos construída a partir de uma matéria ancestral. É graças a nós, e em cada um de nós, que ela pode dizer “eu”. A vida do planeta é uma metamorfose imensa e incessante. A maneira como percebemos sua força metamórfica é, antes de mais nada, a migração que ela impõe a cada um dos seus habitantes.”

Sobre a Dantes Editora:

É uma editora que se dedica à pesquisas, edições e projetos culturais que nascem de livros. Seu trabalho expande a atuação da produção editorial para exposições, oficinas, filmes e muitas outras atividades de cunho social, cultural e ambiental. O envolvimento, dedicação e cuidado com as articulações para que cada projeto se realize, criam trabalhos especiais que conectam áreas de conhecimento diversas.

Há quase 10 anos a Dantes trabalha com o povo Huni Kuin no Acre no projeto Livro Escola Viva que tem sido inspiração para o formato colaborativo que sempre buscou.

Desde 2018 realiza o Selvagem, ciclo de estudo sobre a vida.

Primeira turma: 28/10, 4,11,18/11

Material de estudo