ciclo mulheres, plantas e cura

Roteiro para o ciclo de leitura Mulheres, Plantas e Cura

Ministrado pela Ana Carvalho e Marília Nepomuceno
4 encontros de 2 horas

Convidadas: Luiza Cavalcante, Helena Tenderini,
Maria Silvanete Lermen e Sanderline Ribeiro

Sobre o ciclo:

Os conhecimentos tradicionais associados a plantas e ervas medicinais são resultado de séculos de convívio dos povos e comunidades tradicionais com seus biomas de origem, explorando suas potencialidades de formas variadas. Refletem, assim, uma relação dos corpos-territórios enquanto existência no mundo. Esses saberes estão intimamente relacionados às demais dimensões da vida social, das histórias familiares e sistemas de transmissão de saberes e cosmovisões, estando intrinsecamente associados a dimensões espirituais, trajetórias pessoais e a identidade cultural e memória coletiva de cada comunidade, grupo ou região. Inspirado pelos saberes de quatro mulheres de territórios negros e indígenas de Pernambuco e da Paraíba, este ciclo de leitura – Mulheres, Plantas e Cura – propõe uma deriva pelas práticas e saberes dessas mulheres-território, a partir de suas narrativas, trajetórias e de seus quintais medicinais e comestíveis, onde habitam uma coleção de ervas e plantas utilizadas nos seus fazeres de partejar, curar, benzer e rezar. O ciclo é um desdobramento do Caderno de Plantas e Ervas Medicinais das Mulheres da Zona da Mata Norte, idealizado por Ana Carvalho e Marília Nepomuceno em colaboração com mulheres da Mata Norte pernambucana.

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01/09 – Aula inaugural

Aberta ao público no youtube do Selvagem com as mediadoras Ana Carvalho e Marília Nepomucenoaberta ao público no youtube do Selvagem com as mediadoras Ana Carvalho e Marília Nepomuceno

08/09 – Primeiro encontro:

Ana Carvalho e Marília Nepomuceno conversam com Luíza Cavalcante.

O quintal de Luíza – Afroecologia, Farmácia Viva, Luta pela Terra, Plantas de Cura e Benzimento no Sítio Ágatha

Luiza Cavalcante – Tracunhaém, Mata Norte | PE. Mãe, avó, agricultora afroecológica, educadora popular, rezadeira e mestra entre os saberes de cura. Articulada na Uiala Mukaje, na Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras, no Instituto Candeeiro, na REGA-NE, no GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia. Gestora do Sítio Ágatha – Espaço matriarcal de vivências e trocas afroecológicas, antirracistas. Localizado no Assentamento Chico Mendes II, em Tracunhaém. (@sitioagatha | @luizacavalcante62)

15/09 – Segundo encontro

Ana Carvalho e Marília Nepomuceno conversam com Helena Tenderini
O quintal de Helena – Parteiras e Plantas de Gestar, Parir e Cuidar. A Experiência Kabôca da Mata e de Parteria tradicional no Sítio Malokambo.

Helena Tenderini – Tracunhaém, Mata Norte | PE. Parteira, rezadeira, capoeira, educadora, artista e detentora de saberes e práticas relacionadas aos cuidados naturais com plantas e ervas medicinais. Mãe de quatro filhos – Makambi, Malaika, Malakai e Aluandê. Vive em comunidade com sua família no Sítio Malokambo, em Tracunhaém. (@sitio.malokambo | @helenatenderini)

22/09 – Terceiro encontro

Ana Carvalho e Marília Nepomuceno conversam com Maria Silvanete Lermen
O quintal de Silvanete – Saberes de Cura e Benzeção na Caatinga, A Casa de Vivência dos Povos do Sertão do Araripe, Plantas de Cura do Sertão e suas Transformações.

Maria Silvanete Lermen – Serra dos Paus-Dóias, Exu, Sertão do Araripe | PE. Educadora popular, orientadora em saúde comunitária, benzedeira de mãos postas, orientadora de portais ancestrais, agroflorestora, praticante e pesquisadora das vivências dos povos. (@espacodevivencia | @mariasilvanetelermen)

29/09 – Quarto encontro

Ana Carvalho e Marília Nepomuceno conversam com Sanderline Ribeiro
O quintal de Sanderline – Saberes de Cura Potiguara, Pajelança e Plantas Mestras.

Sanderline Ribeiro – Rio Tinto | PB. Mulher, indígena, Pajé, Graduada em Pedagogia pela Unavida, licenciada em Letras-Língua Portuguesa (UFPB), Especialista em Educação do Campo pela (UFPB), Mestranda em Ciências das Religiões (UFPB) e professora da Educação Básica. Sanderline Potiguara integra o grupo de plantas medicinais formado por lideranças indígenas, pajés, mulheres curandeiras e raizeiras, acompanhado pela equipe do DSEI POTIGUARA, bem como faz parte da Articulação de Mulheres indígenas da Paraíba (AMIP). Filha de indígena potiguara, neta de parteira, curandeira, rezadeira, benzedeira. Faz 11 anos que se dedica aos trabalhos de cuidados físicos e espirituais repassados pela ancestralidade e assegurados pela espiritualidade. (@sanderlineribeiro)

Sobre as mediadoras:

Ana Carvalho – Chã de Capoeira, Paudalho | PE. Artista, pesquisadora e educadora popular. Desde 2001, trabalha junto a povos indígenas e comunidades tradicionais no desenvolvimento de projetos culturais e de criação artística compartilhada nos campos das artes visuais, cinema, publicações e patrimônio imaterial. Integra o corpo de colaboradores do Vídeo nas Aldeias, organização que apoia as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais por meio de recursos audiovisuais, atuando na edição de publicações, oficinas de audiovisual e realização de filmes. Formada em homeopatia popular pela UFV e técnica em agroecologia pelo SERTA, atua com foco nas práticas regenerativas do solo e criação de quintais medicinais e comestíveis, desenvolvendo pesquisa sobre homeopatia aplicada à agricultura, saúde popular, práticas tradicionais de cura e as cosmologias dos roçados ameríndios e afro-indígenas. É integrante da Chã – coletiva da terra, que propõe e apoia iniciativas e diálogos entre agroecologia, artes e patrimônio imaterial de comunidades tradicionais e coletivos culturais. Vive com sua família na área rural de Paudalho. (@ana.car_valho | @chadeterra)

Marília Nepomuceno – Chã de Capoeira, Paudalho | PE. Mãe de duas crianças, mulher-cis negra (afroindígena), nascida na periferia do Recife. Cientista social formada pela UFPE, produtora cultural, educadora popular, técnica em agroecologia formada pelo SERTA e mestranda em antropologia no PPGA/UFPE. Faz interlocução junto a povos e comunidades tradicionais, mais especificamente entre detentoras de saber e práticas tradicionais de cura e também relacionadas a ritos e celebrações em seus territórios, colaborando em projetos e pesquisas do patrimônio imaterial em Pernambuco, articulando ações de circulação e salvaguarda destes saberes. Integra a Chã – coletiva da terra – com sede em Chã de Capoeira, Paudalho, Zona da Mata Norte de Pernambuco, onde reside; e o coletivo Kapi’wara de Agroecologia Urbana, sediado na Várzea, Região Metropolitana do Recife. Entre os coletivos que integra, propõe e apoia iniciativas e diálogos entre a cultura, a agroecologia e o patrimônio imaterial. (@semarilia | @chadeterra)

Sobre a publicação:

Caderno de Plantas e Ervas Medicinais das Mulheres da Zona da Mata Norte

Entre fevereiro e abril de 2021, Chã – coletiva da terra desenvolveu o projeto de pesquisa e criação artística CADERNO ILUSTRADO DE PLANTAS E ERVAS MEDICINAIS DAS MULHERES DA ZONA DA MATA NORTE. Idealizado por Ana Carvalho e Marília Nepomuceno, o trabalho contou com a colaboração e articulação de Helena Tenderini e Luíza Cavalcante, envolvendo mulheres, mães, agricultoras, parteiras e rezadeiras das comunidades de entorno do Sítio Malokambo e Sítio Ágatha, na área rural de Tracunhaém, e da comunidade de Belém, em Paudalho. O projeto se desenvolveu a partir da partilha das histórias de vida dessas mulheres e do reconhecimento de seus quintais medicinais e comestíveis. As ações, que envolveram rodas de conversa, trocas de saberes e oficina de desenho, resultaram na produção coletiva de um de caderno ilustrado, que traz as histórias dessas mulheres e suas plantas de cura e proteção. O projeto foi realizado com o incentivo da Lei Aldir Blanc PE 2020.

Sobre a equipe:

Coordenação geral e organização do caderno: Ana Carvalho
Concepção do projeto: Ana Carvalho e Marília Nepomuceno
Assistência de produção: Marília Nepomuceno e Joaquim Carvalho
Articulação nos territórios: Helena Tenderini (Sítio Malokambo) e Luiza Cavalcante (Sítio Ágatha)
Coordenação de pesquisa: Ana Carvalho
Narradoras/pesquisadoras: Bernadete Belarmino da Silva; Carmelita Maria da Silva; Helena
Tenderini; Ivaneide Maria (Pôla); Luiza Cavalcante; Maria José da Silva; Nzinga Cavalcante;
Vanuze Carmelita da Silva
Interlocutoras/pesquisadoras: Ana Carvalho e Marília Nepomuceno
Oficina de desenho: Ana Carvalho
Ilustrações: Ana Carvalho; Carmelita Maria da Silva; Helena Tenderini; Ivaneide Maria Ribeiro
(Pôla); Joaquim Carvalho; Luiza Cavalcante; Malaika Oniilari Tenderini; Maria José da Silva;
Nzinga Cavalcante; Vanuze Carmelita da Silva
Projeto gráfico: Marcenaria Olinda
Realização: Chã – coletiva da terra; O Praialta
Apoio: SÍtio Ágatha; Sítio Malokambo; Marcenaria Olinda
Incentivo: Lei Aldir Blanc PE 2020
Paudalho e Tracunhaém, 2021