ciclo de seres invisíveis

Roteiro para o ciclo de leitura Seres Invisíveis

Mediado por Anna Dantes, Cristine Takuá e Victoria Mouawad
4 encontros semanais de 2 horas
Datas: 02, 09, 16 e 23 de fevereiro de 2022
Convidados: Ailton Krenak, Aristóteles Barcelos Neto, Cynthia, Kyaw, Dorion Sagan, Hugo Aguilaniu, João Paulo Barreto, Laymert e Lua Kali

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Sobre o ciclo:

No ciclo em torno do Livro de Seres Invisíveis, vamos estudar “outras formas de vida sem as quais não poderíamos existir’’. Visitaremos os 30 seres invisíveis apresentados por Dorion Sagan e também a floresta para conhecer os seres extra-humanos que nela habitam. Entrelaçando o ponto de vista da ciência ocidental às cosmologias indígenas, vamos ampliar a perspectiva acerca desses seres imperceptíveis a olho nu que movem e transformam o planeta.

Após dois anos mergulhadas na produção do livro, compartilharemos reflexões a partir desse processo em diálogo com os livros da coleção Selvagem. Do DNA e da mitocôndria da Serpente Cósmica, aos seres invisíveis espirituais e à canoa da transformação de Antes o Mundo não Existia, passando pela Biosfera, Metamorfose e Regenerantes de Gaia, dando assim continuidade aos ciclos passados.

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02/02 – Primeiro encontro:

Introdução com Cynthia Kyaw e Hugo Aguilaniu. Conversa mediada por Anna Dantes.

Cynthia Kyaw

Desde criança Cynthia queria ser cientista e em 1981 se formou como Bacharel e Licenciada em Biologia pela USP. No final do curso, se apaixonou pela microbiologia e desde então passou a lidar com os organismos invisíveis ao olho nu. Apesar de ter começado a vida profissional em São Paulo, em 1988 foi para Brasília, onde fez Mestrado e Doutorado, além de ser contratada como professora na UnB. Estudou bactérias por muitos anos, mas há tempos estuda um grupo de micro-organismos denominados arqueias que, apesar do nome, não são os ancestrais de bactérias e formam um grupo amplo de seres vivos, classificados como Archaea. Algumas espécies nos surpreendem, por serem encontradas locais considerados impossíveis à sobrevivência, tais como fontes termais, lagoas sulfurosas, ou mesmo em cristais de sal. Além de trabalhar, também adora música e estuda flauta transversal.

Hugo Aguilaniu

Geneticista de formação. Após concluir o doutorado na Universidade de Gotemburgo (Suécia), fez um pós-doutorado no Salk Institute for Biological Studies (EUA). Suas contribuições científicas se deram principalmente no estudo das bases genéticas do processo de envelhecimento. Em seguida, juntou-se ao Conseil National de la Recherche Scientifique (França), onde se tornou diretor de pesquisa. Na École Normale Supérieure de Lyon, liderou uma equipe de 2006 a 2016, cuja pesquisa foi premiada pelo CNRS e ERC (Conselho Europeu de Pesquisa). Em 2017, tornou-se diretor-presidente do Instituto Serrapilheira. Também é membro do Conselho Superior da FAPERJ. É ele quem assina a orelha do Livro de Seres Invisíveis.

09/02 – Segundo encontro:

Conversa sobre a perspectiva indígena com João Paulo Barreto e Aristóteles mediada por Cristine Takuá.

João Paulo Barreto

João Paulo Lima Barreto é indígena antropólogo do povo Yepamahsã (Tukano), nascido na aldeia São Domingos, na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM). É graduado em Filosofia (2010), mestre (2013) e doutor em Antropologia Social (2021) pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Sua banca de defesa, ocorrida de modo remoto no dia 4 de fevereiro de 2021, pode ser conferida aqui. É também pesquisador do Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI). Em 2017, fundou em Manaus o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi.

Aristóteles Barcelos Neto

Museólogo e antropólogo, atua na área de etnologia dos povos indígenas das Terras Altas e Baixas da América do Sul, com ênfase em suas artes, rituais e cosmologias. Professor associado e diretor de curso na Sainsbury Research Unit for the Arts of Africa, Oceania and the Americas (University of East Anglia, Reino Unido). Recebeu o Prêmio CNPq-ANPOCS de Melhor Tese de Doutorado em Ciências Sociais.

Cristine Takuá

Filósofa, educadora e artesã indígena, vive na aldeia do Rio Silveira. Na comunidade do Rio Silveira é professora da Escola Estadual Indígena Txeru Ba’e Kuai’ e também auxilia nos trabalhos espirituais na casa de reza. É também Fundadora e Conselheira do Instituto Maracá. Representa o núcleo de educação indígena dentro da Secretaria de Educação de São Paulo e é membro fundadora do FAPISP (Fórum de articulação dos professores indígenas do Estado de São Paulo).

16/02 – Terceiro encontro:

Conversa entre Laymert e Ailton Krenak mediada por Anna Dantes.

Laymert Garcia dos Santos

Professor titular do departamento de Sociologia/IFCH da Universidade Estadual de Campinas, foi conselheiro do CNPC do Ministério da Cultura. Sua atuação tem ênfase na Sociologia da Tecnologia e na Arte Contemporânea.

Ailton Krenak

Pensador, ambientalista e uma das principais vozes do saber indígena. Criou, juntamente com a Dantes Editora, o Selvagem – ciclo de estudos sobre a vida. Vive na aldeia Krenak, nas margens do rio Doce, em Minas Gerais. É autor dos livros Ideias para Adiar o Fim do Mundo (Companhia das Letras, 2019), O Amanhã Não Está à Venda (Companhia das Letras, 2020) e A Vida Não é Útil (Companhia das Letras, 2020).

23/02 – Quarto encontro:

Conversa com o autor Dorion Sagan e a ilustradora Lua Kali mediada pelas tradutoras do livro para o português Deborah Parrine e Victoria Mouawad.

Dorion Sagan

Escritor premiado e filósofo, também escreve teorias sobre ecologia. Filho do Carl Sagan e de Lynn, ele é autor e co-autor de 25 livros traduzidos em quinze idiomas, incluindo vários de sua mãe sobre biologia planetária e evolução por simbiose. Ele também trabalhou com Eric D. Schneider para popularizar o conceito de termodinâmica da vida. Seu trabalho foi publicado em História Natural, Smithsonian, Wired, Cabinet e The New York Times Book Review, entre outros. Dorion participou do Selvagem em 2019.

Lua Kali

Lua faz pesquisas gráficas investigando sistemas vivos imaginários e
interseções entre artes e ciências.

Victoria Mouawad

Sonhadora desde a infância, escreve para não deixar os sonhos escorrerem por entre os dedos. Como boa aquariana, acredita que precisamos da utopia como horizonte, para dar sentido a nossos passos. Cria da paulicéia desvairada, vislumbra cidades mais permeáveis, com rios desaterrados, muitas áreas verdes e mais espécies (con)vivendo juntas. Em 2020, traduziu o livro Metamorfoses pela Dantes Editora e atualmente segue a formação para tradutores da Casa Guilherme de Almeida.

Sobre o Livro de Seres Invisíveis

“Uma lição de vida. É isso que encontramos, literalmente, ao percorrer as páginas do Livro de Seres invisíveis. Com descrições minuciosas, Dorion Sagan nos apresenta trinta seres vivos que não enxergamos, resumindo o que sabemos sobre essas “outras formas de vida”. Seria um livro apenas exótico se não tratasse da grande maioria dos seres vivos em nosso mundo. Não passaria de um livro anedótico se não falasse de organismos sem os quais não poderíamos existir. Seria
só interessante se não abordasse uma rica fonte de conhecimento que temos sobre o que é a vida, que forma ela assume, como se manifesta e a variedade com que se apresenta. Seria somente uma obra poética se a pandemia – período em que foi escrita – não tivesse nos lembrado de que o equilíbrio entre os seres vivos é delicado e vive ameaçado. Este é, acima de tudo, um livro importante.

É urgente que nos debrucemos verdadeiramente sobre o que é a vida para poder, enfim, vê-la, compreendê-la, valorizá-la e preservá-la. A vida é importante demais, misteriosa demais, bela demais e frágil demais para que seu estudo seja domínio exclusivo dos biólogos.

Podemos contemplá-la mais de perto graças às ilustrações fascinantes de Lua Kali, que nos permitem descobrir um mundo profundo e diverso em sua inesperada sensualidade. O que vemos ali somos nós: os outros membros de nossa comunidade. O mundo dos vivos. Esses seres invisíveis são nossos irmãos mais velhos. Estão ao nosso redor, conosco, dentro de nós, vivem para nós e contra nós. Sem eles, não seríamos possíveis.” Hugo Aguilaniu, Instituto Serrapilheira.

Sobre o autor

Autor premiado, ensaísta e teórico, Dorion Sagan escreve cultura, história e filosofia da ciência. Filho do Carl Sagan e da Lynn Margulis, ele tem 25 livros traduzidos em quinze idiomas, incluindo vários com a bióloga Lynn Margulis sobre biologia planetária e simbiose. Seu trabalho é publicado em Smithsonian, Wired, Cabinet e The New York Times Book Review, entre outros. Participou do Selvagem em 2019.

Sobre Lynn Margulis (1938 – 2011)

Bióloga estadunidense, autora da teoria da endossimbiose, a que transformou o entendimento da evolução das células com núcleo. Lynn descreveu sua teoria no artigo “On the origin of mitosing cells” (Sobre a origem das células mitóticas), publicado no Journal of Theoretical Biology em 1967, e, apesar de ter sofrido inúmeras críticas quando foi lançado, hoje é considerado um dos documentos mais importantes da biologia. O legado de Lynn inspira, atravessa e se mantém vivo em cada página do Livro de Seres Invisíveis.

Livro Seres Invisíveis