ciclo serpente cósmica

Roteiro para o ciclo de leitura em torno do livro
“A Serpente Cósmica” do Jeremy Narby, Dantes Editora

Ciclo ministrado pelo neurocientista Eduardo Schenberg
4 encontros semanais de 2 horas
Primeira turma do ciclo: quarta-feiras 10, 17,24/02 e ,03/03/2021
Inscrições encerradas

Sobre o ciclo:

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”, disse Carl Jung. A frase convida a inúmeras reflexões, já que em geral pensamos sonhos como algo que acontece de alguma forma dentro de nós; e também porque quando estamos acordados nossa
atenção fica quase que exclusivamente focada no mundo externo. Ao inverter a lógica, a frase desafia os limites entre o que chamamos de interno e externo, sonho e realidade, objetivo e subjetivo. Esta última distinção é central, especialmente na ciência que, ao valorizar o objetivo e mensurável, trouxe à humanidade uma revolução no pensamento, na filosofia e na tecnologia. Por outro lado, inúmeras culturas, ancestrais e contemporâneas, dão muita ênfase às origens subjetivas do conhecimento. Seja em sonhos, transes, meditação ou plantas medicinais indígenas, os chamados conhecimentos tradicionais se originam em grande parte no universo privado da consciência, que não pode ser quantificado nem mostrado a outras pessoas diretamente.
Essas duas origens do conhecimento, ditas objetivas e subjetivas são muitas vezes vistas como inconciliáveis, contraditórias e condenadas ao conflito perpétuo.

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Formato:

Em cada sessão, o mediador fará uma contextualização ou breve apresentação dos temas expostos no livro, como uma forma de abertura de diálogo com o/a convidado/a especial. Em seguida, o diálogo será ampliado com as perguntas e comentários dos participantes do ciclo. Eventualmente haverá leituras em voz alta de trechos do livro, exibições de excertos de filmes e apresentação de iconografias. Leituras complementares serão disponibilizadas conforme a demanda dos participantes.

1° encontro : Origens do saber – Capítulos 1, 2, 3 e 4 (42 pág).

Convidado: Leopardo YawaBane (Bane), liderança Huni Kui.
Vídeo: Cientistas excêntricos, Huni Kui e Ashaninka
Leitura: O fim da ayahuasca?
Filmes: O abraço da serpente. Ayahuasca, expansão da consciência.

2° encontro : In.visível – Capítulos 5, 6, 7, 8 e 9 (84 pág).

Convidados: Bane e Christopher Timmerman, PhD, neurocientista chileno, usa equipamentos de neuroimagem no Imperial College em Londres para estudar os efeitos da DMT.
Filme: From neurons to nirvana

3° encontro : Fronteiras – Capítulos 10 e 11 (31 pág).

Convidada: Alyne Costa, brasileira, filósofa.
Video: A mensagem do xamã
Aula: O antropoceno e outras histórias do (fim do) mundo

4° encontro : Por uma nova ciência

Convidado: Jeremy Narby

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Sobre Eduardo Schenberg:

Trilhou sólida trajetória acadêmica na interface entre psicologia, psiquiatria e neurociências. Se formou em biomedicina e fez Mestrado em psicofarmacologia na UNIFESP e concluiu Doutorado em neurociências na USP. Após pesquisa premiada de pós-doutorado na UNIFESP monitorando as ondas cerebrais de voluntários durante o efeito da ayahuasca, durante o qual conheceu pessoalmente o antropólogo Jeremy Narby, estudou outras substâncias psicodélicas, foi homenageado no Trip Transformadores 2019 e deu inúmeras entrevistas à imprensa, tendo participado do Fantástico (TV Globo) em 03/01/2021. Teve experiências pessoais no Santo Daime, no vegetalismo Peruano, yagé Colombiano e foi iniciado pelos indígenas Huni Kui, desenvolvendo parceria com a Federação do Povo Huni Kui do Acre (FEPHAC) para um estudo pioneiro de neurociência durante rituais indígenas na floresta amazônica, respeitando os devidos processos de consulta prévia e os protocolos comunitários. Em estudos recentes têm investigado como a pesquisa científica sobre ayahuasca sistematicamente ignora os conhecimentos tradicionais, cometendo “injustiças epistêmicas”, afetando assim negativamente o próprio conhecimento científico e colocando em risco os direitos indígenas perante a crescente tendência no exterior por patentes sobre moléculas originárias do conhecimento ecológico tradicional. É fundador e Diretor-Presidente do Instituto Phaneros, instituição sem fins lucrativos pioneira no Brasil ao desenvolver a Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP) e focar na educação de profissionais de saúde, já contando mais de 400 alunos matriculados.

Sobre Leopardo Yawabane Huni Kui:

Leopardo Yawa Bane Huni Kuî nasceu na terra indígena Kaxinawá do Rio Jordão, Aldeia Belo Monte, município de Jordão, estado do Acre, Brasil. É filho do cacique geral José Siã Huni Kuî e Maria Nazeli Maspã. Deixou a Amazônia para aprender melhor como liderar o seu povo através dos nossos tempos modernos e tem viajado para realizar cerimônias de cura nos últimos 10 anos em todo o Brasil e no exterior. Iniciou uma caminhada internacional, fruto do seu trabalho espiritual desde a infância. Suas relações e alianças de fraternidade germinaram frutos na África do Sul, na Califórnia (EUA) e na Europa (Itália, Espanha, Hungria, entre outros países da União Europeia). Possui três filhos. Seus irmãos também trilham caminhos semelhantes. Fabiano Txana Bane viveu por um tempo em Berlim e é casado com a alemã Kathy Mãkuani. Sua irmã Isa Tximá também viveu na cidade grande, onde formou-se em Fisioterapia pela PUC-SP.

Sobre Christopher Timmermann:

Pesquisador no Imperial College London, trabalha no Centro de Pesquisa Psicodélica, onde conduziu os primeiros estudos de neuroimagem de DMT em voluntários saudáveis e seu potencial para intervenções na saúde mental. Ele também investiga os efeitos que os psicodélicos têm sobre as crenças e algumas das implicações éticas associadas com o potencial transformador desses compostos. Ele é o fundador e presidente da Fundação para o Estudo da Consciência Humana (EcoH).

Sobre Alyne Costa:

Alyne Costa é doutora em filosofia pela PUC-Rio e sua pesquisa trata da importância de pensar o Antropoceno e o colapso ecológico considerando também cosmovisões e modos de vida outros que ocidentais. É professora do quadro complementar do Departamento de Filosofia da PUC-Rio e pós-doutoranda do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, onde desenvolve pesquisa e projetos de divulgação científica e engajamento social para as mudanças climáticas. Sua tese Cosmopolíticas da Terra: modos de existência e resistência no Antropoceno foi a vencedora do Prêmio Capes de Tese 2020 na área de filosofia.

Sobre Jeremy Narby:

Antropólogo e escritor. Estudou história na Universidade de Kent em Canterbury e recebeu seu doutorado em antropologia da Universidade de Stanford. Estudou com os Ashaninka na Amazônia peruana catalogando recursos da floresta para combater a destruição ecológica. Autor dos livros: Psychotropic Mind: The World Accordind to Ayahuasca, Iboga and Shamanism (2010); Intelligence in Nature(2005); Shamans Through Time: 500 Years on the Path to Knowledge (2001) e The Cosmic Serpent: DNA and the Origins of Knowledge (1995). É pesquisador de conhecimento tradicional de sistemas indígenas de povos da Amazônia. Trabalha desde 1989 para ONG Nouvelle Planète buscando iniciativas sustentáveis, educação, preservação e aprofundamento da sabedoria e uso de medicina indígena. Ele participou dos ciclos Selvagem 1 e 2.

Sobre o livro:

Ao estudar a ecologia de um povo indígena da Amazônia peruana, o antropólogo Jeremy Narby vê-se confrontado com um enigma: os índios, cujos conhecimentos botânicos espantam os cientistas, explicam-lhe invariavelmente que o seu saber provém de certas plantas professoras.

Narby envolve-se numa investigação multidisciplinar estendendo-se ao longo de dez anos, da floresta amazônica às bibliotecas europeias, no decurso da qual se vem a convencer da veracidade literal das afirmações dos índios. A chave do enigma, segunda a ousada hipótese proposta por Narby, encontra-se no DNA, a molécula da vida presente em cada célula de cada ser vivo.

O DNA é o código genético presente em toda forma de vida. Jeremy Narby apresenta a hipótese de que os xamãs através de suas visões alcançam a dimensão do molecular aprendendo dessa forma a reconhecer as correspondências entre, por exemplo, as plantas curativas e as doenças.

Sobre a Dantes Editora:

É uma editora que se dedica à pesquisas, edições e projetos culturais que nascem de livros. Seu trabalho expande a atuação da produção editorial para exposições, oficinas, filmes e muitas outras atividades de cunho social, cultural e ambiental. O envolvimento, dedicação e cuidado com as articulações para que cada projeto se realize, criam trabalhos especiais que conectam áreas de conhecimento diversas.

Há quase 10 anos a Dantes trabalha com o povo Huni Kuin no Acre no projeto Livro Escola Viva que tem sido inspiração para o formato colaborativo que sempre buscou.

Desde 2018 realiza o Selvagem, ciclo de estudo sobre a vida.