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APNE IXKOT HÃMHIPAK
ALDEIA ESCOLA FLORESTA

ESCOLA VIVA MAXAKALI

Território: Aldeia Escola Floresta – 122 hectares
População beneficiada: 327 pessoas do povo Maxakali
Coordenadores: Sueli e Isael Maxakali

Apoio mensal: O recurso tem sido fundamental para a estruturação da Aldeia Escola Floresta. É usado para instalação e manutenção de internet, instalação de luz nas casas, mangueiras para abastecer cada casa com água da nascente, material de arte, oficinas, além de alimentação coletiva e transportes que se façam necessários.

SOBRE A ESCOLA VIVA MAXAKALI

Os Maxakali são habitantes ancestrais das florestas que cobriam todo o leito dos rios Pardo, Jequitinhonha e Mucuri, na região compreendida, hoje, como nordeste de Minas Gerais e extremo sul da Bahia.

São um povo de, aproximadamente, 3000 pessoas que falam a língua Maxakali, um dos últimos idiomas nativos da região. A invasão da empresa agropecuária em suas terras originárias, durante os séculos XIX e XX, resultou no seu confinamento em 5 pequenos territórios, cercados de fazendas por todos os lados e devastados pela derrubada da floresta e pelo plantio do capim-colonião.

A Aldeia Escola Floresta é o território mais recente desse povo e foi criada a partir da retomada de uma propriedade da União, localizada na zona rural de Teófilo Otoni (MG), Ali começou a ganhar forma um sonho antigo, impulsionado pela reivindicação dos Maxakali por seus territórios originários e pela saudade que sentem dos rios, das caças e da mata grande.
A Aldeia Escola Floresta é um projeto comunitário, hoje reconhecido como Terra Indígena. Sueli Maxakali diz que não existe ação que não seja coletiva.

Isael Maxakali costuma dizer que a verdadeira casa dos Maxakali, a ‘aldeia de verdade’, só pode existir junto com a floresta, que é a morada dos yãmïyxop. Isael também diz que a vida nesses lugares – na aldeia e na floresta – é a melhor forma de educar suas crianças e transmitir seus conhecimentos tradicionais.

Aldeia e floresta são suas ESCOLAS VIVAS, portanto.

COORDENADORES

Sueli Maxakali nasceu em 1976, no município de Santa Helena de Minas, e é uma liderança do povo Maxakali, povo indígena originário de uma região compreendida entre os atuais estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Forçados a se deslocar de suas terras ancestrais para resistir a diversas agressões que se acumulam há séculos e que chegaram a deixá-los em risco de extinção nos anos 1940, os Tikmũ’ũn, como se autodenominam, mantêm vivas sua língua e sua cultura. Hoje, estão divididos em comunidades distribuídas pelo Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Além de liderança, educadora e fotógrafa, Sueli é também realizadora audiovisual. Com Isael Maxakali, ela tem produzido alguns dos filmes mais emblemáticos da produção da arte indígena contemporânea, no sentido de registrar e difundir rituais e tradições ancestrais, ao mesmo tempo transcendendo, com sua poesia, o engajamento na luta pelos direitos dos povos originários. Na 34ª Bienal, a artista apresentou a instalação Kumxop koxuk yõg (Os espíritos das minhas filhas), um conjunto de objetos, máscaras e vestidos que remetem ao universo mítico das Yãmĩyhex, as mulheres-espírito.

Isael Maxakali nasceu em 1978, na aldeia de Água Boa, em Minas Gerais, onde cresceu ouvindo e aprendendo os cantos e histórias dos espíritos Yãmĩyxop. Hoje vive na aldeia de Ladainha, em Minas Gerais. Em 1993, casou-se com Sueli Maxakali, sua companheira de vida e trabalho. Na virada do século, ele assumiu a kuxex, casa dos cantos, tornando-se uma jovem liderança do seu povo. Foi indicado como professor pelas lideranças locais, aproximou-se do universo não indígena e começou a participar de atividades ligadas à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Graduou-se no curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas, na UFMG. Movido pelo desejo de mostrar a cultura Maxakali, iniciou seu percurso pelo cinema. Hoje é um dos principais diretores indígenas em atuação no Brasil, desenvolvendo uma obra constituída por filmes-rituais, documentários e animações. O cinema de Isael é indissociável de sua trajetória como liderança política, professor, pesquisador, desenhista, tradutor, aprendiz de pajé e cantor, conhecedor de parte do vasto repertório mantido e recriado pelos Maxakali. Em 2020, recebeu o prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Longa-Metragem da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes com o filme Yãmĩyhex: as mulheres-espírito (2019), dirigido com Sueli Maxakali. Recebeu também o Prêmio PIPA online, uma das principais premiações de arte contemporânea do Brasil. Atualmente sonha com a aquisição da terra para onde se transferiu com mais de 100 famílias Maxakali, para a criação do seu projeto Aldeia Escola Floresta.

“Meu povo é o Povo do Espírito do Canto. Porque nosso povo é da resistência, pois os espíritos nos fortalecem. Este nome Maxakali foram os portugueses que deram – eles queriam extinguir nosso povo, mas o espírito do Pajé Yãmïy conversava com o filho e avisou que os portugueses iam chegar. Eles se separaram e foram morar em duas grutas. O filme ‘Essa Terra é Nossa’ mostra isso. Foi o Espírito do Canto que protegeu meu povo. Eles falaram: ‘Ou a terra ou a língua’. Eles escolheram a língua.”
Sueli Maxakali
AUDIOVISUAL

DISSOLUÇÃO OU NEM TUDO NEM NADA – Ailton Krenak, Nastassja Martin, Mateus Aleluia, Sueli, Isael, Isabelinha e Mamei Maxakali – CICLO DAS ÁGUAS

Mamei Maxakali – CASA ESCOLA VIVA

MÃYÕN: SOL MAXAKALI – Isael Maxakali e Sueli Maxakali – CICLO SOL

PREPARAÇÃO, CICLOS E REGRAS – Sueli Maxakali, Netë Huni Kuï, Francy Baniwa, Carla Wisu e Cristine Takuá – CICLO APRENDIZAGENS

ACORDAR, ESCUTAR, CURAR – Cristine Takuá, Dua Busë, João Paulo Tukano e Isael Maxakali – CICLO APRENDIZAGENS

VIVA VIVA ESCOLA VIVA

CADERNOS

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Exposição Viva Viva Escola Viva no Instituto Tomie Ohtake e lançamento do livro “Tekoypy rã – A origem de nós”

Em junho de 2026, foi inaugurada a segunda edição da exposição Viva Viva Escola Viva, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com a presença de telas feitas por artistas da Escola Viva Maxakali e das demais Escolas Vivas.

Manejo agroflorestal e cultivo de alimentos

A Escola Viva Maxakali atua continuamente com o reflorestamento e o plantio de diversas espécies no território da Aldeia Escola Floresta, incluindo árvores nativas e frutíferas, apoiando a subsistência da comunidade e a recuperação das áreas desmatadas pelo agronegócio na região.