ciclo dos sonhos

O Ciclo de Leitura sobre Sonhos acontece em quatro encontros semanais de 2 horas às terças-feiras, transmitidos no canal Selvagem do youtube.

Datas: 05, 12, 19 e 26 de abril de 2022
Horário: 16h às 18h
Convidados: Nastassja Martin, Leandro Altheman, Sidarta Ribeiro, Cristine Takuá e Moisés Piyãko
Mediado por Ailton Krenak
Artista Convidada: Zoé Dubus
* os encontros ficarão disponíveis no canal Selvagem do youtube.

Cadernos
Sobre o ciclo:

Para o clã Kehiriporã (do povo Desana), ou filhos dos desenhos do sonho, antes do mundo existir, ele foi sonhado. A vida, o mundo, ou o que fazemos dele, seria um desenho feito em uma dimensão invisível durante a vigília. Esse planejamento da existência, a partir de seu espectro mais sútil, demanda confiança e preparo. Há culturas que zelam por este portal e cuidam para que suas crianças sejam alfabetizadas na linguagem onírica. Vivemos em um mundo que se projeta a partir de dados, cenários e estatísticas. Esta condição racional baniu o sonho para a condição de devaneio, fantasia, ou, até mesmo, delírio. Nosso ciclo de estudos consultará conhecimentos de pessoas, culturas e povos que confiam na linguagem e no poder transformador dos sonhos. Será, também, uma introdução a todo o percurso que sonhamos trilhar de agora em diante, envolvendo relações colaborativas e regeneração de Gaia.

Convidamos a artista Zoé Dubus, autora das obras que ilustram o ciclo, para acompanhar os encontros e criar desenhos a partir das conversas.

ROTEIRO

05/04 – Primeiro encontro: CAMINHO-SONHO

Noite e dia. A trajetória contínua de mundos que se entrelaçam.
Conversa com Nastassja Martin, antropóloga e autora do livro Escute as Feras.

Natassja Martin
Nastassja Martin nasceu em Grenoble, na França, em 1986. Estudou antropologia na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, onde se tornou doutora em 2014, sob a orientação de Philippe Descola, com uma tese sobre os gwich’in do Alasca. Publicada sob o título de Les âmes sauvages (La Découverte, 2016), a tese recebeu o prêmio Louis Castex da Académie Française. Seu livro seguinte, Escute as feras, publicado originalmente sob o título de Croire aux fauves (Gallimard, 2019), revisita experiências de 2015, quando Martin realizava pesquisas de campo junto aos even da península de Kamtchátka, na Sibéria. O livro recebeu o prêmio François Sommer de 2020 por sua contribuição à reflexão sobre as relações entre o homem e a natureza. Nastassja Martin é membro do Laboratório de Antropologia Social e desde 2020 participa de um comitê contra a degradação turística em La Grave e no maciço dos Écrins, nos Alpes franceses.

12/04 – Segundo encontro: PLANTA-SONHO

Assimilar, através de uma raiz, a presença no sonho.
Conversa com Leandro Altheman, jornalista e antropólogo, autor do livro Muká, a raiz do sonho.

Leandro Altheman
Jornalista radicado na Amazônia por 20 anos. Autor do livro Muká, A Raiz dos Sonhos, relato autobiográfico do processo de formação xamânica do povo Yawanawá. É mestre em Antropologia pela UFPR com o tema das iniciações xamânicas do povo Shipibo da Amazônia peruana.

19/04 – Terceiro encontro: DESENHO-SONHO

Uma comunicação em outros códigos, escritura simbólica, como ler? como ver?
Conversa com Sidarta Ribeiro, professor de Neurociências e autor de O Oráculo da Noite.

Sidarta Ribeiro
Sidarta Ribeiro é professor titular de Neurociências e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da UFRN. Sua pesquisa aborda os seguintes temas: memória, sono e sonhos; comunicação vocal e psicodélicos. É autor de mais de 100 artigos científicos e de 5 livros, entre eles O Oráculo da Noite (Cia das Letras). Também é capoeirista, integrante do Grupo Capoeira Brasil.

26/04 – Quarto encontro: VIDA-SONHO

O sonho, guia para as nossas escolhas diárias.
Conversa com Cristine Takuá e Moisés Piyãko. Cristine Takuá é filósofa, rezadora, parteira, educadora e artesã. Moisés é um respeitado xamã e profundo conhecedor das tradições espirituais de seu povo, os Ashaninka.

Cristine Takuá
É filósofa, rezadora, parteira, educadora e artesã indígena e vive na aldeia do Rio Silveira, onde é professora independente. É diretora e fundadora do Instituto Maracá. Membro fundadora do FAPISP (Fórum de articulação dos professores indígenas do Estado de São Paulo). Participou do Selvagem 2019 e hoje coordena escolas vivas.

Moisés Piyãko
É um respeitado xamã e profundo conhecedor das tradições espirituais dos Ashaninka. Mora na aldeia Apiwtxa, localizada às margens do Rio Amônia, Acre. Moisés participou do Selvagem 2018, contando a história oral e o mundo espiritual do seu povo.

Carol Comandulli – Participação especial
Carolina Schneider Comandulli é Mestre em Antropologia, Ecologia e Desenvolvimento e Doutora em Antropologia pela University College London – UCL. Convive e colabora com povos indígenas da Amazônia e Mata Atlântica há 20 anos, tendo trabalhado diretamente com organizações de base local e em posições de instituições governamentais para a implementação de políticas indigenistas. Trabalhou na Fundação Nacional Índio e foi consultora do Centro de Trabalho Indigenista e da Forest Trends. Viveu com os Ashaninka no Acre, contribuindo com a Associação dos Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa. Participa hoje de grupos acadêmicos como Ciência Cidadã Extrema, Centro de Antropologia da Sustentabilidade e Desafios de Pesquisas Multidisciplinares. Em 2019, co-organizou o evento Flourishing Diversity Series, em Londres.

Mediação: Ailton Krenak
Pensador, ambientalista e uma das principais vozes do saber indígena. Criou, juntamente com a Dantes Editora, o Selvagem – ciclo de estudos sobre a vida. Vive na aldeia Krenak, nas margens do rio Doce, em Minas Gerais. É autor dos livros Ideias para Adiar o Fim do Mundo (Companhia das Letras, 2019), O Amanhã Não Está à Venda (Companhia das Letras, 2020) e A Vida Não é Útil (Companhia das Letras, 2020).

Artista convidada: Zoé Dubus
Nasceu em Paris em 1986, cidade onde atualmente reside e trabalha. Formada pela École Nationale Supérieure des Arts Visuels de la Cambre em Bruxelas, Zoé Dubus desenvolveu um trabalho que permeia a escultura, o desenho e a pintura. Em 2011, se muda para o Rio de Janeiro, no contexto do Programa Aprofundamento conduzido pela artista Anna Bella Geiger, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Durante os 6 anos que passou no Rio de Janeiro, Dubus reforçou seu universo festivo, fantástico e social, influenciado sobretudo pela cultura do carnaval e pelo abismo social. Durante o processo, foi afirmando e variando diferentes práticas artísticas, do desenho clássico à instalação contemporânea. Seu trabalho já foi exibido em diversas exposições coletivas em Londres, Bruxelas, Rio de Janeiro e Paris. Se destacam duas exposições individuais, uma na galeria Artur Fidalgo, no Rio de Janeiro, e outra no Espace Voltaire em Paris.

material de estudo