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ESCOLAS VIVAS

Movimento de apoio a projetos indígenas de fortalecimento e transmissão de seus saberes tradicionais.

Apoiamos mensalmente 5 projetos:
Guarani, Maxakali, Huni Kuin, Baniwa e Tukano-Dessano-Tuyuka.

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CRISTINE TAKUÁ
Coordenadora das Escolas Vivas

Cristine Takuá, do povo Maxakali, é uma pensadora, aprendiz de parteira e educadora. É formada em Filosofia pela Unesp e foi professora por doze anos na Escola Estadual Indígena Txeru Ba’e Kuai’.

Atualmente é coordenadora das Escolas Vivas e integra o conselho da Associação Selvagem.

Cristine é representante do NEI (Núcleo de Educação Indígena) dentro da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e membro fundadora do FAPISP (Fórum de articulação dos professores indígenas do Estado de São Paulo). Faz parte do Instituto Maracá, que está fazendo a gestão compartilhada do Museu das Culturas Indígenas em São Paulo.

Vive na Terra Indígena Ribeirão Silveira, localizada na divisa dos municípios de Bertioga e São Sebastião, no estado de São Paulo, com seu companheiro, Carlos Papá, e seus filhos Djeguaká e Kauê.

Junto a Veronica Pinheiro, Cristine escreve o Diário de Aprendizagens, publicado no site Selvagem. Em seus textos, ela traz relatos sobre sua caminhada junto às Escolas Vivas e reflexões sobre educação, memória e Bem Viver.

ALDEIA ESCOLA FLORESTA
ESCOLA VIVA MAXAKALI

Território: Aldeia Escola Floresta – 122 hectares
População beneficiada: 327 pessoas do povo Maxakali
Coordenadores: Sueli e Isael Maxakali

Os Maxakali são habitantes ancestrais das florestas que cobriam todo o leito dos rios Pardo, Jequitinhonha e Mucuri, na região compreendida, hoje, como nordeste de Minas Gerais e extremo sul da Bahia.

São um povo de, aproximadamente, 3000 pessoas que falam a língua Maxakali, um dos últimos idiomas nativos da região. A invasão da empresa agropecuária em suas terras originárias, durante os séculos XIX e XX, resultou no seu confinamento em 5 pequenos territórios, cercados de fazendas por todos os lados e devastados pela derrubada da floresta e pelo plantio do capim-colonião.

A Aldeia Escola Floresta é o território mais recente desse povo e foi criada a partir da retomada de uma propriedade da União, localizada na zona rural de Teófilo Otoni (MG), Ali começou a ganhar forma um sonho antigo, impulsionado pela reivindicação dos Maxakali por seus territórios originários e pela saudade que sentem dos rios, das caças e da mata grande.
A Aldeia Escola Floresta é um projeto comunitário, hoje reconhecido como Terra Indígena. Sueli Maxakali diz que não existe ação que não seja coletiva.

Isael Maxakali costuma dizer que a verdadeira casa dos Maxakali, a ‘aldeia de verdade’, só pode existir junto com a floresta, que é a morada dos yãmïyxop. Isael também diz que a vida nesses lugares – na aldeia e na floresta – é a melhor forma de educar suas crianças e transmitir seus conhecimentos tradicionais.

Aldeia e floresta são suas ESCOLAS VIVAS, portanto.

Cristine Takuá e Paula Berbert

“Meu povo é o Povo do Espírito do Canto. Porque nosso povo é da resistência, pois os espíritos nos fortalecem. Este nome Maxakali foram os portugueses que deram – eles queriam extinguir nosso povo, mas o espírito do Pajé Yãmïy conversava com o filho e avisou
que os portugueses iam chegar. Eles se separaram e foram morar
em duas grutas. O filme Essa Terra é Nossa mostra isso.
Foi o Espírito do Canto que protegeu meu povo.
Eles falaram: “Ou a terra ou a língua”. Eles escolheram a língua.”

Sueli Maxakali

O projeto comunitário da ALDEIA-ESCOLA-FLORESTA consiste na organização da aldeia, na escola, no reflorestamento, no cuidado com as nascentes, nos encontros regulares de pajés e de especialistas da cultura, além da estruturação de oficinas.

APOIO MENSAL:
O recurso tem sido fundamental para a estruturação da Aldeia Escola Floresta. É usado para instalação e manutenção de internet, instalação de luz nas casas, mangueiras para abastecer cada casa com água da nascente, material de arte, oficinas, além de alimentação coletiva e transportes que se façam necessários.

PRÓXIMOS PASSOS:
Criar oportunidades para a realização de oficinas.
Articular parcerias e intercâmbios.
Colaborar para a criação das casas projetadas visando a organização coletiva.
Colaborar com o projeto de reflorestamento.
Cooperar com as ações da escola da aldeia.
Fomentar ações de educação ambiental para manejo do lixo.

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COORDENADORES

Sueli Maxakali nasceu em 1976, no município de Santa Helena de Minas, e é uma liderança do povo Maxakali, povo indígena originário de uma região compreendida entre os atuais estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Forçados a se deslocar de suas terras ancestrais para resistir a diversas agressões que se acumulam há séculos e que chegaram a deixá-los em risco de extinção nos anos 1940, os Tikmũ’ũn, como se autodenominam, mantêm vivas sua língua e sua cultura. Hoje, estão divididos em comunidades distribuídas pelo Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Além de liderança, educadora e fotógrafa, Sueli é também realizadora audiovisual. Com Isael Maxakali, ela tem produzido alguns dos filmes mais emblemáticos da produção da arte indígena contemporânea, no sentido de registrar e difundir rituais e tradições ancestrais, ao mesmo tempo transcendendo, com sua poesia, o engajamento na luta pelos direitos dos povos originários. Na 34ª Bienal, a artista apresentou a instalação Kumxop koxuk yõg (Os espíritos das minhas filhas), um conjunto de objetos, máscaras e vestidos que remetem ao universo mítico das Yãmĩyhex, as mulheres-espírito.

Isael Maxakali nasceu em 1978, na aldeia de Água Boa, em Minas Gerais, onde cresceu ouvindo e aprendendo os cantos e histórias dos espíritos Yãmĩyxop. Hoje vive na aldeia de Ladainha, em Minas Gerais. Em 1993, casou-se com Sueli Maxakali, sua companheira de vida e trabalho. Na virada do século, ele assumiu a kuxex, casa dos cantos, tornando-se uma jovem liderança do seu povo. Foi indicado como professor pelas lideranças locais, aproximou-se do universo não indígena e começou a participar de atividades ligadas à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Graduou-se no curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas, na UFMG. Movido pelo desejo de mostrar a cultura Maxakali, iniciou seu percurso pelo cinema. Hoje é um dos principais diretores indígenas em atuação no Brasil, desenvolvendo uma obra constituída por filmes-rituais, documentários e animações. O cinema de Isael é indissociável de sua trajetória como liderança política, professor, pesquisador, desenhista, tradutor, aprendiz de pajé e cantor, conhecedor de parte do vasto repertório mantido e recriado pelos Maxakali. Em 2020, recebeu o prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Longa-Metragem da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes com o filme Yãmĩyhex: as mulheres-espírito (2019), dirigido com Sueli Maxakali. Recebeu também o Prêmio PIPA online, uma das principais premiações de arte contemporânea do Brasil. Atualmente sonha com a aquisição da terra para onde se transferiu com mais de 100 famílias Maxakali, para a criação do seu projeto Aldeia Escola Floresta.

ARANDU PORÃ
ESCOLA VIVA GUARANI

Território: Terra Indígena Ribeirão Silveira, o território tem 948 hectares homologados e está em fase de ampliação há anos, tendo sido declarada a portaria para 8.468 hectares passando a fazer limite com três municípios: Bertioga, São Sebastião e Salesópolis.
População beneficiada: diretamente 50 pessoas, indiretamente 400 pessoas do povo
Guarani Mbya
Coordenador: Carlos Papá

Na ARANDU PORÃ, nome da Escola Viva Guarani, os jovens começaram a despertar suas memórias adormecidas. Práticas ancestrais estão em diálogo com técnicas de agrofloresta, cultivo de abelhas e com uma Casa de Essências.

Neste território, onde a língua Guarani é dominante, crianças e jovens encontram na Escola Viva um lugar para conhecer as histórias de seu povo, praticar sua arte e ciência.

O POVO GUARANI habita a região meridional da América do Sul em um amplo território, no qual se sobrepõem os territórios de Paraguai, Brasil, Argentina, Uruguai e Bolívia. Os GUARANI nomeiam toda essa região como YVY RUPA. No território de Ribeirão Silveira, onde se localiza a ARANDU PORÃ, os jovens estão começando a perceber a importância da ESCOLA VIVA e, através desse diálogo, começaram a cantar coisas que já se tinham perdido há muitos anos.

A ESCOLA VIVA é uma ferramenta para trazer essa educação milenar, uma educação de respeito, uma educação de saúde, uma educação do andar, uma educação de falar, uma educação de olhar.

“Através da Escola Viva pude ter experiência com os mais velhos sobre
a importância da vida e do quanto é importante trazer a valorização dos conhecimentos da nossa tradição e, com muito esforço, isso vem sendo praticado. Hoje os jovens estão procurando mais o ponto de cultura quando querem conversar, falar dos sonhos, desenhar e saber mais das histórias. Eu e uma pequena parte da comunidade nos reconhecemos como escola viva. Uma parte maior não entende ainda, mas acredito que, com o tempo, entenderão.”

Carlos Papá

APOIO MENSAL:
O recurso é utilizado para a realização de oficinas, a manutenção da casa de reza e do viveiro de plantas, além do apoio a famílias envolvidas com as atividades da escola.

PRÓXIMOS PASSOS:
Intercâmbios Guarani, para troca de sementes e criação das abelhas nativas.
Construir uma casa do parto para cuidado das meninas moças em fase de gestação e para realização dos partos.
Fortalecer os roçados para alcançar a segurança alimentar.

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COORDENADOR

Carlos Papá Mirim Poty pertence ao povo Guarani Mbya. É morador da aldeia do Rio Silveira e guardião das palavras sagradas Guarani. Ao longo dos últimos anos, Papá vem soprando ao mundo mensagens sobre a importância da valorização e do respeito à Nhë’ery, a Mata Atlântica. Através de Ayvu Porã, as boas e belas palavras, ele transmite a filosofia e a memória ancestral deixadas por seus avós. Trabalha há mais de 20 anos com audiovisual, cultivando a memória e a história de seu povo através de oficinas culturais com os jovens. Atua também como líder espiritual em sua comunidade, sendo conhecedor das plantas que curam e orientam o nosso caminhar. É representante da Comissão Guarani Yvy Rupa e também fundador e conselheiro do Instituto Maracá. São inúmeros os projetos e eventos dos quais participou e para os quais vem sendo convidado nos últimos anos, tais como: Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Tocantins, 2015; ciclo de debates Mekukradjá – Círculo de Saberes, no Itaú Cultural; diversas sessões, mostras e festivais de cinema, como o Aldeia SP – Bienal de Cinema Indígena, o Festival Tela Indígena, realizado em Porto Alegre, e o Festival de Culturas Indígenas no Memorial da América Latina, em São Paulo. Foi curador do rec.tyty – Festival de artes indígenas. Participou como artista da exposição Moquém-Surari, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), durante a 34ª Bienal de São Paulo. É morador da Terra Indígena Rio Silveira, localizada na divisa entre os municípios de Bertioga e São Sebastião.

MADZEROKAI
CASA DOS CONHECIMENTOS ANCESTRAIS
ESCOLA VIVA BANIWA

Território: Aldeia Assunção do Rio Içana – 6.690 hectares
População beneficiada: 90 famílias e aproximadamente 700 pessoas, divido em 7 vilas (bairro), Assunção, Mazzarelo, Sagrado Coração de Jesus, Dom Bosco, Santa Cruz, Carará poço e São Francisco
Etnias: Baniwa, Tariano, Kubeo, Werekena, Tuyuka, Koripako, Wanano, Tukano e Baré.
Línguas faladas: Baniwa e Nheengatu.
Coordenadores: Francy Baniwa e Francisco Fontes Baniwa

Os Medzeniakonai são habitantes do sistema cultural e multilíngue do Alto Rio Negro, área de aproximadamente 250 mil km², que abrange o noroeste da bacia amazônica, em uma região transfronteiriça região com Venezuela e Colômbia. Somos um dos 23 povos indígenas que habitam o Alto Rio Terra Indígena Negro, vasto território com cerca de 80 mil km², localizado no município de São Gabriel da Cachoeira (AM). Juntamente com este grupo de povos, eles têm uma história profunda que remonta pelo menos 3.000 anos de desenvolvimento cultural único. Suas mais de 90 comunidades, espalhadas ao longo dos rios Içana e Ayari, afluentes do rio Negro que compõem a bacia do Içana, falam Baniwa e Koripako, variações dialetais de um Arawak do norte linguagem; Nheengatu, ou língua geral, da família Tupi-Guarani; Português e Espanhol; como bem como diversas línguas de outros povos que também habitam seu território tradicional, como o Tukano, Wanano e Kubeo, da família Tukano. A bacia do Içana cobre cerca de 35 mil km², dos quais 27 mil km² estão em território brasileiro.

A determinação dos povos Baniwa e Koripako como “Walimanai” (a humanidade que habita o mundo atual) ou “Wakoenai” (os que falam a nossa língua) foi dada pelos não indígenas. Para nós, somos os “Medzeniakonai”, o que significa que somos povos de língua original. Quando fazemos referência aos Medzeniakonai, nós nos referimos aos 19 clãs que compõem a nação de língua Baniwa e Koripako: Baniwa – Walipere-dakeenai, Hohodeni, Dzawinai, Kadaopolittana Liedawieni, Kadaopoliro, Kotteeroeni, Adzaneeni, Maoliene, Paraattana, Moliweni, Awadzoronai, Jurupari Tapuya, Mawettana, Tokedakeenai e Hipattana; Koripako – Komadaminanai, Kapittiminanai e Padzowalieni.
De acordo com a nossa cultura milenar, nós somos a herança deixada por Heeko (demiurgo) lá na terra-pedra, o centro de formação e origem da humanidade, localizada em “Hiipana” (eeno hiepolekoa – umbigo do mundo) em Uapuí-Cachoeira, no Rio Ayari. Foi neste lugar que surgiu a humanidade, em especial o povo Baniwa, seus clãs e seus territórios.

Dos nossos deuses herdamos uma grande extensão de terras, delimitadas por um conjunto de marcas (petróglifos) que definem o território de cada clã do nosso povo desde os tempos imemoriais. Essas demarcações históricas e ancestrais é que permitem o controle, a governança e a gestão ambiental em nosso território.

Nossa forma original de organização social vem desde a criação do mundo e da humanidade, ou seja, é lá em Uapui-Cachoeira que iniciamos nossa forma de autogoverno. Somos parte da sociodiversidade étnica e fazemos parte da pluralidade cultural do Rio Negro. Somos a base da existência da convivência harmoniosa, do bem viver e viver bem nesta terra.

O nosso viver sempre foi a “interculturalidade”, adquirida pela convivência entre os povos Baniwa e Koripako e demais grupos étnicos que habitam historicamente a região do alto Rio Negro. Por isso mesmo é muito importante e fundamental para fortalecer nossa vivência, nossos direitos, nossa cultura, nossos projetos de futuro, de governança e de gestão territorial e ambiental das Terras Indígenas, que são patrimônios da União indisponíveis, imprescritíveis e inalienáveis destinados ao usufruto dos povos indígenas.

A ESCOLA VIVA BANIWA é uma grande conquista para o povo Baniwa, que está no Noroeste Amazônico, na Terra Indígena Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira-AM. Neste território residem 23 povos de diferentes línguas, culturas e religiões. É o território mais indígena do Brasil.

A ESCOLA VIVA BANIWA nasce do trabalho feito ao longo de seis anos de pesquisa e escrita do livro Umbigo do Mundo (Dantes Editora, 2023), de FRANCY BANIWA em diálogo com seu pai, FRANCISCO LUIZ FONTES BANIWA (MATSAAPE), narrador das histórias orais tradicionais, e com seu irmão FRANK FONTES BANIWA (HIPATTAIRI), autor de 74 aquarelas. A ESCOLA VIVA BANIWA nasceu, assim, por meio das narrativas que são nosso guia para viver bem.

“Aqui é o lugar onde nasci e cresci. É o lugar onde estão minhas tias, avós, primos, amigas e amigos de infância. Aqui está a base de tudo, a base do ensinamento, o que me fez ser quem sou hoje. A comunidade não teve dificuldade de entender o que é uma Escola Viva quando apresentei o projeto. Porque já somos uma Escola Viva. A Escola Viva acontece no momento em que você acorda às quatro da manhã para tomar banho e também quando se deita às seis da tarde, depois de um longo dia de trabalho na roça. Tudo o que somos e o que fazemos na comunidade dentro das nossas casas é escola viva. Todas as cestarias, a arte de cortar a palha, de pescar, de limpar o peixe, de cuidar da roça, tudo isso. O meu pai é uma escola viva. Os meus tios e professores são escolas vivas. Todas as roças são escolas vivas. A nossa comunidade e todos os moradores aqui também. Pelas tranças, pelos cantos, pela bebida fermentada e compartilhada nas manhãs de caribé, que é uma partilha cotidiana, com os risos das mulheres conversando, brincando junto com as crianças e a juventude.”

Francy Baniwa

APOIO MENSAL:
O valor mensal é usado para pagar nossos conhecedores, que atuam na formação dos nossos jovens e das pessoas da comunidade. São nossos doutores indígenas que são os mestres orientadores da Escola Viva.

Mulheres artesãs e Donas de roça: Natália Martins (Werekena), Virginia Olímpio (Baniwa), Isabel Castro (Baniwa), Bibiana Fontes (Baniwa) e, Maria Bidoca (Koripako). Sábios, artesãos e conhecedores: Francisco Fontes (Baniwa), Francisco D’Ávila (Baniwa), Hermes Plácido (Baniwa), Jorgue Idalino (Baniwa), Frank Fontes (Baniwa), Leonor Fontes (Baniwa), Gleibson Fontes (Baniwa), Estevão Fontes (Baniwa).

PRÓXIMOS PASSOS:
Pesquisas sobre o calendário indígena Baniwa, mapeando o território.
Realização de oficinas para estudo do nosso território, oficinas de desenhos e oficinas de cartografia.
Pesquisas sobre os tipos de solo, levantamento de dados de aves, peixes, animais e plantas, com foco em produzir livros sobre a nossa própria casa.
Realização de roças junto à Escola Viva para fortalecer a soberania alimentar e nosso bem viver.
Ensinar a juventude sobre a importância desses saberes ancestrais.

APOIE

COORDENADORES

Francisco Luiz Fontes Baniwa é indígena Baniwa do clã Waliperedakeenai, natural da comunidade de Ucuqui Cachoeira, localizada no rio Uaraná, afluente do rio Ayari, parte da bacia do rio Içana. É maadzero — que significa ‘sábio’ para o povo Baniwa. É mestre de danças, cantos, instrumentos musicais, narrador, benzedor, artesão — que aprendeu, por sua vez, com seu pai, tios e avôs dos clãs Waliperedakeenai e Hohoodeni. Poliglota e narrador do livro Umbigo do mundo. Nasceu falando baniwa e koripako; começou a aprender nheengatu com seu pai, e entende kubeo por causa de sua avó materna. Além de saber português e espanhol, também aprendeu a falar wanano em suas andanças e veio a se tornar fluente em nheengatu quando se estabeleceu e casou em Assunção, em sua juventude.

Francineia Bitencourt Fontes (Francy Baniwa) é mulher indígena, antropóloga, fotógrafa e pesquisadora do povo Baniwa, do clã Waliperedakeenai, nascida na comunidade de Assunção, no Baixo Rio Içana, na Terra Indígena Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira – AM. Engajada nas organizações e no movimento indígena do Rio Negro há uma década, atua, trabalha e pesquisa nas áreas de etnologia indígena, gênero, organizações indígenas, conhecimento tradicional, memória, narrativa, fotografia e audiovisual. É graduada em Licenciatura em Sociologia (2016) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). É mestra (2019) e doutoranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS-MN/UFRJ). É diretora do documentário Kupixá asui peé itá — A roça e seus caminhos, de 2020. Atualmente coordena o projeto ecológico pioneiro de produção de absorventes de pano Amaronai Itá – Kunhaitá Kitiwara, financiado pelo Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN/FOIRN), pelo empoderamento e dignidade menstrual das mulheres do território indígena alto-rio-negrino. É autora do livro Umbigo do Mundo, escrito a partir das narrações de seu pai, Francisco Fontes Baniwa, e ilustrado por seu irmão, Frank Fontes Baniwa – lançado pela Dantes Editora em 2023.

SHUBU HIWEA
ESCOLA VIVA HUNI KUÏ

Território: Terra Indígena do rio Jordão – 87.000 ha
Ponto central: Aldeia Coração da Floresta
População beneficiada: 3000 pessoas do povo Huni Kuï
Coordenadores: Dua Busë e Netë

A ESCOLA VIVA Shubu Hiwea é um sonho do pajé DUA BUSË. Ele vive com sua família na aldeia Coração da Floresta, no Alto Rio Jordão. DUA BUSË possui profundos saberes da cultura HUNI KUÏ – de histórias, medicina, música e espiritualidade – e, ao longo dos anos, tem transmitido seus conhecimentos para outros pajés e aprendizes. Em sua aldeia, ele criou um grande jardim, que batizou de Parque União da Medicina, onde são feitos cultivos, estudos e práticas dos saberes da medicina tradicional de seu povo.

“Para esse apoio dado, vou passar uma mensagem de alegria, paz para nós alcançarmos nossa força com confiança dentro do nosso coração, dentro da nossa alma, para nosso Yuxibu ajudar mais ainda. Que todos nós indígenas possamos alcançar alegria, nosso trabalho, nossa cultura, nossa tradição e todos os vários indígenas que nós temos no Brasil, toda a nossa nação, não apenas um parente.”

Dua Busë

APOIO MENSAL:
Com o apoio mensal, o pajé Dua Busë pode permanecer em sua aldeia. O recurso garante a existência deste importante ancião, a alimentação, o material de arte, a gasolina e o acesso a internet. 

PRÓXIMOS PASSOS:
Articular apoios e intercâmbios.
Apoiar a produção artística na aldeia Coração da Floresta.
Apoiar oficinas de tecelagem e arte de miçangas com as mulheres.
Apoiar as Casa de Essências e a formação de mais especialistas.

APOIE

COORDENADORES

Dua Busë é pajé e professor. Vive na aldeia Coração da Floresta, no Alto Rio Jordão, no Acre, na divisa com o Peru. Possui profundos saberes da cultura Huni Kuin – histórias, medicina, música e espiritualidade e, ao longo dos anos, tem transmitido seus conhecimentos para outros pajés e aprendizes.

Netë Huni Kuï é uma mestra artesã de tecelagem e conhecedora de 26 kenês (grafismos sagrados) da tradição Huni Kuï , que remonta ao tempo dos Shenipabu (povo antigo). Junto com Dua Busë, abriu a escola de tecelagem Una Shubu Xinã Kuï.

BAHSERIKOWI MEDICINA INDÍGENA
ESCOLA VIVA TUKANO-DESSANO-TUYUKA

Local: Rua Bernardo Ramos, n° 97, Centro Histórico, Manaus- AM
Pessoas impactadas: 1 mil pessoas são atendidas anualmente
Coordenadores: João Paulo Tukano e Carla Wisu

O Centro de Medicina Indígena Bahserikowi está localizado no centro da cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Sua fundação nesta cidade foi uma escolha estratégica para impactar as universidades e as instituições públicas e promover a mudança da opinião pública sobre a medicina indígena. Atualmente, trabalham no Bahserikowi, Carla Wisu, João Paulo Tukano, kumu Doe, Ivan Tukano, Pedro Tukano, Durvalino Kisibi, Janine Fontes e kumu Álvaro Maia Castilho.

Os especialistas kumuã que atuam no Centro de Medicina Indígena Bahserikowi são originários dos povos Yepamahsã (Tukano), Utãpirõ-porã (Tuyuka) e Umukori-mahsã (Desana), das comunidades indígenas do Alto Rio Tiquié, afluente do Rio Uaupés, Alto Rio Negro.

O atendimento é feito para o público em geral, indígenas e não indígenas. O kumu fica à disposição para atender as pessoas e cuidar delas com bahsese e plantas medicinais.

As tecnologias de cuidado com a saúde e a cura acionadas no Centro de Medicina Indígena Bahserikowi são, fundamentalmente, bahsese (mais conhecido como benzimentos) e plantas medicinais.

Bahsese são fórmulas metaquímicas e metafísicas evocadas pelos especialistas para proteção, tratamento e cura. Em outros termos, bahsese é o poder e a habilidade dos especialistas (kumuã) em evocar as substâncias curativas dos vegetais, minerais e animais.
Os povos indígenas usam as plantas medicinais desde sempre. A floresta guarda todos os tipos de remédios. Na casa, há também remédios naturais para venda. São chás, pomadas, mel, copaíba, andiroba, breu branco para defumação, cascas, raízes, folhas e flores secas medicinais.

O Centro de Medicina Indígena Bahserikowi tece relações com diversas instituições, como a Organização Pan-Americana da Saúde, a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recebendo grupos de trabalho e elaborando conjuntamente programas de saúde indígena. Além disso, o centro recebe frequentemente turmas acadêmicas da Universidade Federal do Amazonas, principalmente da área de saúde, estabelecendo diálogo com os pesquisadores da instituição.

“Não teria melhor palavra que o “bahsese” para definir o meu grupo Üremiri-sararo-yupuri-buberãporã. Bahsese, mais conhecido como benzimento, é a especialidade do meu grupo. É o conhecimento imprescindível, mais importante para a vida humana. Em outros termos, é uma tecnologia de cuidado em saúde e cura, além de ser uma tecnologia de construção de pessoa, comunicação e relações cosmopolíticas. Assim, eu sou de uma família de especialistas como Yaiwa e kumuã. E atualmente somos os grandes fundadores do primeiro Centro de Medicina Indígena Bahserikowi do Amazonas. Somos um centro de referência também para outros povos indígenas, para que possam se espelhar e assim criar os seus próprios espaços de cuidado em saúde e cura.”

João Paulo Lima Barreto

APOIO MENSAL:
Cobre os gastos de manutenção do Centro de Medicina, garante os recursos para que os kumuã vivam em Manaus e contribui para as viagem entre a aldeia na bacia do rio Negro e a cidade de Manaus.

PRÓXIMOS PASSOS:
Articular parcerias e intercâmbios.
Colaborar para a formação e instalação de uma Casa de Essência.
Colaborar para o retorno às aldeias das atividades do Bahserikowi.

APOIE

COORDENADORES

Carla Wisu é indígena do povo Dessano, nascida na comunidade de Cucura Manaus, no Território Indígena do Alto Rio Negro. É administradora do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, nossa Escola Viva Tukano-Desana-Tuyuka, e mestranda em Antropologia Social na Universidade Federal do Amazonas (PPGAS/UFAM).

João Paulo Tukano é indígena antropólogo do povo Yepamahsã (Tukano), nascido na aldeia São Domingos, na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Foi o primeiro indígena a defender o doutorado em Antropologia na Universidade Federal do Amazonas e, atualmente, é professor na UFAM. Trabalhou no Ensino Fundamental e Superior, além de atuar em organizações indígenas do Amazonas, sendo pesquisador do Núcleo de Estudos da Amazônica Indígena (NEAI). Foi o idealizador e co-fundador do Centro de Medicina Indígena da Amazônia, uma clínica criada em 2017 especificamente para servir ao povo.

Residência Casa Escola Viva

No mês de outubro de 2025, a residência artística indígena Casa Escola Viva convida 10 artistas, 2 de cada uma das Escolas Vivas, e seus coordenadores a criarem, refletirem e conversarem, ao longo de 15 dias, sobre seus fazeres artísticos e coletivos no Bloco Escola no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio).

Saiba mais aqui.

Exposição Viva Viva Escola Viva

Entre 2 de dezembro de 2023 e 28 de janeiro de 2024, Selvagem – ciclo de estudos sobre a vida celebrou as Escolas Vivas com uma grande exposição de artes e medicinas na Casa França-Brasil, no centro do Rio de Janeiro.

Foram mais de 100 obras presentes na exposição, que recebeu 20.000 visitantes e se desdobrou em rodas de conversa, visitas guiadas, ciclos de estudos e novos projetos junto às Escolas Vivas.

Saiba mais na página Viva Viva Escola Viva, ou leia o catálogo da exposição abaixo.

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