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Todos posts por

Mari Rotili

Artes e DesenhosCantosConversas

BAK | SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA: começo, meio e começo

"Semeei as palavras… Semeei as sementes que eram nossas e as que não eram nossas. Transformei nossas mentes em roças e joguei uma cuia de sementes… O que aconteceu foi que a palavra que melhor germinou foi confluência". ♦ Nego Bispo ♦   Confluência, palavra semeada por Nego Bispo ao dizer do encontro de saberes de povos que são, também, terra; orgânicos. Palavra que germina a cada dia na Biblioteca do Ailton Krenak, ou BAK, como carinhosamente a chamamos. A BAK é uma iniciativa da Comunidade Selvagem para catalogar e acessibilizar as falas do Ailton. É também um espaço em que confluem pensamentos, sonhos e anseios diversos que as palavras de Ailton vêm gerando em nossas mentes/roças.        Neste espaço, além de disponibilizarmos as falas ao público em geral, também organizamos estudos e semeamos sonhos; sonhos regados pela ideia de imaginar um futuro ancestral. Aqui trazemos histórias de (re)existência e amor com Gaia.      A BAK se faz em…
Mari Rotili
29 de junho de 2023
Cadernos e LivrosFilmes e Flechas

ECOLOGIAS E PRÁTICAS DO CUIDADO: Per(cursos) Selvagens no grupo FOZ

O Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida promove estudos e disponibiliza materiais que articulam e ecoam conhecimentos indígenas e tradicionais em diálogo com diversas perspectivas: científicas, artísticas, acadêmicas e de outras espécies, para citar algumas. Esses materiais irradiam, atravessam esferas e passam a compor o estudos de outros coletivos que procuram pensar as intersecções de saberes em ação no mundo.    Um exemplo dessa inspiração foi compartilhado pelo psicólogo e mestre em psicologia clínica Luas Szemere, que atua na coordenação do Grupo FOZ, um coletivo autogerido de pesquisa e formação em práticas do cuidado. FOZ oferece formações, intervenções, cursos, grupos de estudos e oficinas e se inspira na noção de foz, o ponto em que o rio se lança ao mar ou noutro rio; um encontro e enlace entre percursos de água, assim como os encontros de saberes se quer provocar.    Um dos núcleos oferecidos pelo grupo é o Núcleo Ecologias. Dentre os materiais utilizados por esse coletivo…
Mari Rotili
23 de junho de 2023
Conversas

ESCOLAS VIVAS NA REVISTA BDMG CULTURAL

Em sua 9ª edição a revista BDMG Cultural trouxe algumas experiências de trocas e aprendizados ativadas por encontros e partilhas de saberes que as pessoas levam consigo. Entre elas está um depoimento de Cristine Takuá sobre o projeto Escolas Vivas, uma rede de apoio a quatro centros de formação em aldeias dos povos Huni Kuin, Tukano, Maxakali e Guarani Mbya articulada pelo Selvagem e coordenada por ela.    O artigo começa com uma contextualização dos desafios postos a lideranças, profissionais, instituições e órgãos estatais responsáveis pelo campo da educação no país em cultivar uma educação de crianças, jovens e adultos que respeite e dê continuidade às práticas e saberes ancestrais de suas etnias e povos, em contraponto ao que hoje percebe-se como estabelecido. Assim, apresenta a Aldeia-Escola-Floresta, em Minas Gerais, na região de Itamunheque, zona rural no município de Teófilo Otoni.    Segue com uma breve apresentação sobre o povo Maxakali, em situação de confinamento em terras demarcadas restritas a…
Mari Rotili
16 de junho de 2023
Artes e DesenhosFilmes e Flechas

RECIFE TAMBÉM É SELVAGEM

Eu lembro bem do que senti quando assisti a primeira Flecha Selvagem, no dia do lançamento, em maio de 2021. Fiquei tomada por um desejo de que todo mundo visse aquilo, que todo mundo acessasse e sentisse a esperança e nutrição que meu corpo experienciou enquanto via aquela compostagem de imagens envolvida pelo texto fluido de Anna Dantes sendo narrado pela voz de Ailton Krenak. Fiquei em estado de contemplação. O vídeo me trouxe também uma certa nostalgia dos tempos em que eu aprendia me divertindo ao assistir os programas da TV Cultura - não me pergunte o porquê, essa foi a sensação que me deu enquanto meus olhos se emocionavam. Depois, ao saber de cada nova Flecha a ser lançada, eu ficava com uma euforia da certeza dos sentimentos bons que elas me trariam naqueles tempos pandêmicos, tão incertos e solitários.      Quando o isolamento foi flexibilizado, voltei para meu campo de atuação. Dou aulas e, além de partilhar…
Mari Rotili
13 de junho de 2023
Artes e DesenhosFilmes e Flechas

AS FLECHAS, O CHÁ E AS PEDRAS

“O centro de Gaia é composto em grande parte por magnetita, um mineral que o transforma em um ímã gigante. As espécies migratórias possuem fragmentos de magnetita em seus corpos que lhes permitem sentir o campo geomagnético para criar rotas para locais mais adequados para sua sobrevivência e retorno ao ponto de partida. A magnetotaxia os torna sua própria bússola. A espécie humana possui fragmentos de cristais de magnetita em seu corpo, mas como não estão ligados ao sistema nervoso, não configuram um sentido. Temos em nossos corpos um fóssil do centro da terra que está relacionado a outras espécies migratórias, mas não sabemos para onde ir ou como voltar.”  No dia 17 de maio as Flechas Selvagem estiveram acompanhadas das Magnetitas da artista Tau Luna Costa e da Planta do Chá, em cerimônia guiada por Daniela Ruiz, em seu projeto Mediteation. O encontro foi parte do ciclo de ativações da exposição “El tiempo como las piedras” na Galeria Tangent,…
Mari Rotili
7 de junho de 2023
Cadernos e LivrosCiclo Selvagem

TRAVESSIA SELVAGEM: Vigília da Oralidade na Plataforma SUMAÚMA

Abril de 2023, Museu Nacional do Rio de Janeiro. Quatro anos e meio depois de passar por um incêndio que consumiu a quase totalidade de seu acervo, em seus jardins aterrissou a nave Selvagem. Seis tendas iluminadas desenharam uma meia lua ao redor de uma fogueira, demarcando o espaço físico onde ganhou vida a Vigília da Oralidade: Memórias Ancestrais. Uma noite aquecida e iluminada pelo fogo e pelo calor de memórias que viveram através das falas e cantos de guardiões das palavras indígenas, griôs, quilombolas, acadêmicos e artistas conduziram um público de mais de 200 pessoas dispostas a fazer tamanha passagem. Um ponto central nessa noite inapagável foi o lançamento de Umbigo do Mundo, livro de Francy Baniwa e Francisco Baniwa, editado pela Dantes. Dessa vez o fogo deu a ver as páginas impressas e a harmonia das cores das ilustrações de Frank Baniwa, irmão de Francy. Cristiane Fontes, em reportagem para a Sumaúma publicada no último dia 15 de…
Mari Rotili
19 de maio de 2023
Filmes e Flechas

FLECHAS SELVAGENS NA REVISTA WTLF (UK)

As Flechas Selvagens levam suas ideias até outros continentes, atravessam o mar para atingirem os corpos e os modos de pensar. A revista britânica Where the Leaves Fall tem publicação semestral com um escopo que explora a interação entre a humanidade e a natureza. Na edição Nº 11 a revista contou com um artigo escrito por Anna Souter que contextualiza o pensamento de Ailton Krenak e a produção desse material audiovisual que encanta e mobiliza outras consciências. De acordo com Anna Souter, “Os filmes não são apenas veículos de beleza e tranquilidade; eles buscam causar impacto e despertar uma reflexão profunda”. Desse modo, ela enfatiza a capacidade que o projeto tem de deslocar perspectivas e apresentar a riqueza cultural dos povos indígenas para aqueles que estão distantes desse modo de ver e de se relacionar com a vida e com os seres viventes. O artigo completo pode ser encontrado em: https://wheretheleavesfall.com/explore/article-index/wild-arrows/  Texto por Ana Otero
Mari Rotili
13 de maio de 2023
Artes e DesenhosCadernos e LivrosCantosCiclo SelvagemFilmes e FlechasUniversidades

CANTAR COM O QUE ATRAVESSA: Cadernos e Flechas Selvagens em experimentos vocais

Pytun Jerá – O Desabrochar da Noite é um Caderno Selvagem preparado a partir da fala que Carlos Papá fez na roda de conversas Céu, durante o Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida no Teatro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 14 de novembro de 2019.    Em 2023, estudantes de Expressão Vocal de 3ª fase do curso de graduação em Artes Cênicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), em Florianópolis, têm mergulhado nas páginas e entrelinhas dos Cadernos e experimentado no corpo as ativações contidas ali.    O entendimento do escuro como fonte da criação de vida atraiu a atenção e conduziu as investigações cênicas do grupo. Ive Luna, professora da disciplina, conta que a leitura conjunta de Pytun Jerá encantou a turma e gerou muita conversa. Na aula seguinte ela projetou o caderno Desligue as Luzes e Escute nas paredes da sala. Com desenhos realizados pela artista Zoé Dubus durante o Ciclo dos…
Mari Rotili
6 de maio de 2023
Filmes e Flechas

NHANDE MARANDU, MENSAGENS DA FLORESTA NO MUSEU DO AMANHÃ

Se pensarmos no futuro pautados em uma única narrativa, em um tempo linear, somos lançados a um amanhã cada vez mais distante; fixados à ideia de ‘produzir’ o amanhã, perdemos o tempo presente. E se, como sugere Ailton Krenak em Futuro Ancestral (Companhia das Letras, 2022), fôssemos capazes de sustentar uma postura de abertura, de acolher a inovação que chega junto a cada nova criança, a cada recém-chegado em Gaia e abríssemos espaço para que se criem relações entre múltiplas experiências de tempo e formas de vida?    Para fazer circular diversas narrativas sobre a vida, o Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) promoveu a exposição NHANDE MARANDU: Uma História de Etnomídia Indigena. A exposição acontece no Museu  do Amanhã, no Rio de Janeiro, com abertura em 11 de novembro de 2022 e encerramento em 30 de abril de 2023. Esta é uma oportunidade de transmitir mensagens que nascem de lugares de afetação com a vida - experimentada em toda…
Mari Rotili
29 de abril de 2023
Ciclo SelvagemUniversidades

O CINEMA COMO INSTRUMENTO DO POVO ASHANINKA

"Se a gente faz um filme, se a gente faz um vídeo, a gente tá comunicando a nossa visão pra um outro espaço, pra que esse outro espaço veja a gente como a gente é. Mesmo que ele não consiga chegar até onde nós estamos, mas ele consegue  entender o que a gente tá fazendo, através do audiovisual." Wewito Piyãko   De que maneira o audiovisual pode contribuir com os objetivos dos povos originários? Qual é a importância desse instrumento na vida do povo Ashaninka? Desses questionamentos, nasceu uma pesquisa. Ela ganhou corpo, se desdobrou e resultou, recentemente, em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).    Nomeado "Com câmera, corpo e alma: lutas e realizações do povo Ashaninka no filme Antônio & Piti", o TCC foi escrito por Kim Queiroz, que se formou em Rádio e TV na Escola de Comunicação da UFRJ após a defesa do trabalho. A pesquisa…
Mari Rotili
20 de abril de 2023