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Artes

Artes e Desenhos

A CANA EM CENA

Foto: Rafael Blasi   O que sente uma cana-de-açúcar? O que nos diria essa voz vegetal, depois de séculos de exploração? Estas são algumas questões levantadas em Solo da Cana, trabalho cênico de Izabel Stewart apresentado no dia 13 de janeiro de 2024 na Casa França Brasil, como parte da programação da exposição VIVA VIVA ESCOLA VIVA, realizada pelo Selvagem. Em cena, um corpo de mulher transforma-se em cana-de-açúcar, ícone da cultura mono-agro-pop, planta que ao longo dos tempos tem tido seu corpo torcido pelas engrenagens de um sistema que sustenta desigualdades e mói o planeta. Para Izabel, assumir a perspectiva de uma cana de açúcar é um jeito de dizer, junto com os povos indígenas, que a Terra também é viva, também é gente. Que as fraturas que o ocidente criou entre humanos e não humanos, entre quem tem alma e quem não tem, entre cultura e natureza, são um modo muito empobrecido de encarar a beleza da vida. …
Mari Rotili
18 de janeiro de 2024
Artes e Desenhos

BANDEJAS DA ORALIDADE: mosaicos com frases de Ailton Krenak, por Mariana Lloyd

Meu nome é Mariana Llyod, sou mosaicista e designer e vivo no Rio de Janeiro. Em 2021 eu estava produzindo uma coleção de mosaicos baseados em livros que li durante a pandemia. A partir da leitura dos livros de Ailton Krenak e de entrevistas, filmes e podcasts em que ele falou, selecionei algumas frases que são convites de entrada para o universo da cosmovisão indígena. Esses conhecimentos tão ricos e diversos me nutriram, animaram e afetaram em um momento tão difícil. As frases tratam de conceitos chaves para começar a entender uma outra visão de mundo compartilhada por diferentes povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Uma visão colada ao corpo da terra,  que é de vivência, conversa, familiaridade e respeito, algo que em muito destoa da ideia cristã, eurocêntrica, monoteísta e capitalista de ver e explorar o mundo. Um mundo onde um rio é chamado de avô, em que um ser humano é genro do sol, em que uma mulher é…
Mari Rotili
14 de dezembro de 2023
Artes e DesenhosCantosConversas

BAK | SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA: começo, meio e começo

"Semeei as palavras… Semeei as sementes que eram nossas e as que não eram nossas. Transformei nossas mentes em roças e joguei uma cuia de sementes… O que aconteceu foi que a palavra que melhor germinou foi confluência". ♦ Nego Bispo ♦   Confluência, palavra semeada por Nego Bispo ao dizer do encontro de saberes de povos que são, também, terra; orgânicos. Palavra que germina a cada dia na Biblioteca do Ailton Krenak, ou BAK, como carinhosamente a chamamos. A BAK é uma iniciativa da Comunidade Selvagem para catalogar e acessibilizar as falas do Ailton. É também um espaço em que confluem pensamentos, sonhos e anseios diversos que as palavras de Ailton vêm gerando em nossas mentes/roças.        Neste espaço, além de disponibilizarmos as falas ao público em geral, também organizamos estudos e semeamos sonhos; sonhos regados pela ideia de imaginar um futuro ancestral. Aqui trazemos histórias de (re)existência e amor com Gaia.      A BAK se faz em…
Mari Rotili
29 de junho de 2023
Artes e DesenhosFilmes e Flechas

RECIFE TAMBÉM É SELVAGEM

Eu lembro bem do que senti quando assisti a primeira Flecha Selvagem, no dia do lançamento, em maio de 2021. Fiquei tomada por um desejo de que todo mundo visse aquilo, que todo mundo acessasse e sentisse a esperança e nutrição que meu corpo experienciou enquanto via aquela compostagem de imagens envolvida pelo texto fluido de Anna Dantes sendo narrado pela voz de Ailton Krenak. Fiquei em estado de contemplação. O vídeo me trouxe também uma certa nostalgia dos tempos em que eu aprendia me divertindo ao assistir os programas da TV Cultura - não me pergunte o porquê, essa foi a sensação que me deu enquanto meus olhos se emocionavam. Depois, ao saber de cada nova Flecha a ser lançada, eu ficava com uma euforia da certeza dos sentimentos bons que elas me trariam naqueles tempos pandêmicos, tão incertos e solitários.      Quando o isolamento foi flexibilizado, voltei para meu campo de atuação. Dou aulas e, além de partilhar…
Mari Rotili
13 de junho de 2023
Artes e DesenhosCadernos e LivrosCantosCiclo SelvagemFilmes e FlechasUniversidades

CANTAR COM O QUE ATRAVESSA: Cadernos e Flechas Selvagens em experimentos vocais

Pytun Jerá – O Desabrochar da Noite é um Caderno Selvagem preparado a partir da fala que Carlos Papá fez na roda de conversas Céu, durante o Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida no Teatro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 14 de novembro de 2019.    Em 2023, estudantes de Expressão Vocal de 3ª fase do curso de graduação em Artes Cênicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), em Florianópolis, têm mergulhado nas páginas e entrelinhas dos Cadernos e experimentado no corpo as ativações contidas ali.    O entendimento do escuro como fonte da criação de vida atraiu a atenção e conduziu as investigações cênicas do grupo. Ive Luna, professora da disciplina, conta que a leitura conjunta de Pytun Jerá encantou a turma e gerou muita conversa. Na aula seguinte ela projetou o caderno Desligue as Luzes e Escute nas paredes da sala. Com desenhos realizados pela artista Zoé Dubus durante o Ciclo dos…
Mari Rotili
6 de maio de 2023
Artes e DesenhosCadernos e LivrosUniversidades

COEXISTÊNCIA, UMA PERFORMANCE INSTALAÇÃO

"Atravessar uma mudança radical até o ponto  em que o mundo em si não será mais o mesmo."  Emanuele Coccia https://youtu.be/0AaFEDTCinw O grupo de pesquisa Gesta, do curso Graduação em Teatro: Licenciatura da Uergs (Universidade do Estado do Rio Grande do Sul) coordenado pela Profa. Tatiana Cardoso, realizou o desdobramento da pesquisa Compossíveis: quando o ambiente vira corpo, com a criação da performance instalação Coexistência.    Feito em co-produção com o Teatret OM, da Dinamarca, durante o mês de agosto de 2022, o grupo apresentou Coexistência, um evento que misturou Teatro, Música e Artes visuais junto à natureza, no imenso parque de Hoverdal, na periferia da cidade de Rinkøbing, na Dinamarca.     Em meio à floresta, entre esculturas orgânicas da artista visual Antonella Diana, os performers evocam passagens, derivas e migrações entre diferentes formas de existência. Assim a metamorfose aparece no corpo não como atributo, mas como condição de ser vivente neste planeta, junto a todas as outras formas de…
Mari Rotili
24 de março de 2023
Artes e DesenhosCadernos e Livros

COMPOSSÍVEIS, QUANDO O AMBIENTE VIRA CORPO

  O projeto de pesquisa Compossíveis: quando o ambiente vira corpo coordenado pela Profa. Tatiana Cardoso, docente do curso Graduação em Teatro: Licenciatura, produziu oito videoperformances, resultados do processo de criação do GESTA, grupo formado por docentes, discentes e egressas da Uergs (Universidade do Estado do Rio Grande do Sul).    A partir da questão “O que surge da mistura entre o corpo humano e o corpo de outro ser vivo?” o exercício foi criar seres fictícios nascidos da relação entre humanos e não humanos, experimentando derivas e migrações de formas.    No grupo GESTA, o papel do professor ou professora -  que também são artistas - é a base para pensar poéticas, ações formativas e críticas que tenham intervenção direta na comunidade. A memória, a corporeidade, o treinamento físico, o cuidado de si, a autopoiese, a transdisciplinaridade, as noções de presença e experiência, a performance, o ritual, a ecologia, a oralidade, a vocalidade e a experimentação de espaços não…
Mari Rotili
10 de março de 2023
Artes e DesenhosFilmes e Flechas

FLECHAS NO SOLAR FOTOFESTIVAL EM FORTALEZA

Entre 7 de dezembro de 2022 e 5 de fevereiro de 2023 a Pinacoteca do Ceará hospedou o Fotofestival Solar e, com ele, a exposição Cosmopolíticas. A curadoria de Pedro David e João Castilho incorpora as Flechas Selvagens à programação composta por obras de artistas brasileiros que ativam questões em torno da política da natureza através dos corpos, das ausências e dos territórios por meio da fotografia. Conforme o programa da exposição:    “A reunião destes trabalhos e a proximidade que eles estabelecem entre si criam momentos para desacelerar o raciocínio. As imagens nos fazem hesitar para, assim, criar uma sensibilidade distinta em relação aos problemas que nos mobilizam. A ideia de uma cosmopolítica permite manter aberta a questão de quem e o que pode compor um mundo comum”.    Concebida pelo Festival de Fotografia de Tiradentes, antes de passar por Fortaleza Cosmopolíticas já esteve em Belo Horizonte e segue em movimento. Agora integra a programação do FotoRio 2023, que…
Mari Rotili
3 de março de 2023
Artes e DesenhosCadernos e Livros

VITALOCENO, PARA UMA CABEÇA VEGETAL

Texto de Mariana Vilela "O que podem as plantas nos ensinar? Como fazer do meu corpo canal erótico para polinizar e vegetalizar as relações produzindo outras texturas e humores de mundos?". Parto destas perguntas para pensar e realizar a performance Vitaloceno, para uma cabeça vegetal, que surgiu com forte inspiração dos textos de Emanuelle Coccia e do Ciclo Selvagem. Num insight me vi com uma cabeça vegetal, feita de linhas emaranhadas e cultivo de algumas plantas. Um ser vivo. Vital. Não a antropomorfização da planta, mas o contrário, a vegetalização do ser humano. Num desejo de convocar essa força nata das plantas de fazer simbioses, cocontaminações, alianças entre heterogêneos e corpo resiliente. Um corpo que não representasse uma planta, mas pudesse buscar o estado vital, no qual a conexão estabelecida com o vegetal fosse da ordem corporal e espiritual e não intelectual, na tentativa de promover um corpo pensante com uma arquitetura cooperativa. Um ser habitante de dois mundos: corporal…
Mari Rotili
24 de fevereiro de 2023
Artes e DesenhosCadernos e Livros

GESTA

Série fotográfica criada em resposta ao fascínio pelas ideias que Emanuelle Coccia traz em seu livro Metamorfoses (Dantes, 2020). Angi me convidou para fotografá-la grávida de Gil. Sugeri que ela conhecesse o livro e que a gente experimentasse algo a partir da visão de um corpo que gesta algo que já está, na contínua manifestação de uma mesma vida, no fluxo infinito e vital da memória cósmica. Um corpo-casulo de si e do mundo. “Mari querida, Vou te passar as anotações breves que fiz a partir das passagens mais tocantes do livro pra mim e que fazem mais sentido nesse limbo forte que é o puerpério, desde onde tento elaborar o processo de gerar e parir e a crise de identidade. Faz o que tu quiser a partir dessas notas, porque não fui além... Elas são menos reflexões e mais uma espécie de janela que abre pra eu respirar nela por um tempo, depois fecha.”. Fotos de Mariana Rotili com…
Mari Rotili
10 de fevereiro de 2023